segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Animalia


Um dia um estranho me disse
que de nada eu era,
e que nada eu continuaria a ser,
que minha pele escura
desbotaria e mancharia
de tinta negra, o seu mar.

Um dia alguém me disse
em tom de deboche
que eu parecia piche
que meus cabelos eram cobre
e o que o meu corpo cobria
era pobre.

Um dia um cretino me disse,
para entrar em sua casa
invadir seus aposentos
e me entregar em um ritual
nojento.

Um dia alguém me disse: "Espera!".
Então esperei sangrento.
E vieram, projéteis e quimeras,
feridas e pedras,
invernos, pesadelos e primaveras...

Um dia alguém me disse
que de nada eu era.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Infante


Foi-se o tempo em que eu brincava na lama,
de me melar com a areia da rua e jogar água da chuva no rosto.
Foi-se o tempo em que eu rolava no chão, na grama e me divertia com qualquer coisa,
que não fosse perigosa.
Foi-se o tempo em que eu corria de cima para baixo, quebrava vasos, jarros, galhos e continuava de pé, intacto.
Foi-se o tempo em que sonhava com fadas, anjos, amigos, amores, neve e asas, sempre sonhava acordado e tinha pesadelos quando dormia, inversão de fato.
Foi-se tanto tempo...Não lembro mais de muita coisa.
E foi-se o tempo em que eu acreditava em todos, tudo, no mundo, nas florestas e em pessoas boas...
Foi-se o tempo da credulidade, da minha bondade,do perdão, das amizades, sorrisos,algodão doce, refrigerante, festas, fogos, animais lindos...Foi-se esse tempo.
E agora o que me resta são os cacos.

Fanático


Eu vi você sem mais compaixão
com ódio, mágoa, a confusão.
E o beijo doce não mais era saboroso.
O céu tornou-se amarelo
e a terra virou o seu principal inferno,
seus olhos eram rudes e vidrados.

Perdi o tempo para acreditar
rezei, orei e permaneci calado
mas a voz insistia em sair de dentro.

De um coração, voraz, sangrento
que guarda em sí, um cruel segredo.
Meus pés forjaram uma, armadura.

Sombras nuas,
na parede, suja,
da minha casa,pura,
no meu quarto
sem janelas,
ou espelhos.

Cobriu-se o corpo com o veneno
daquelas bocas, de cruel lamento
entoou um hino de maldade.
E com falsas lágrimas, escondeu a verdade
que sempre foi uma infeliz deidade,
mas que agora rasga os joelhos...
A sua fé,seu fiel escudeiro
em jardins mortos e rios lamacentos
em vales de horror e de macabras formas.
Correu,gritou e matou a ave
que descançava na paisagem
e engoliu um amargo "Aléluia".

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Iluminantes


Um faminto animal
corre, sedento de sortes
de novo rumores.

Deixa a manada de coelhos
que agarrados aos cabelos,
mordem.

Animais sem vida.
Criados por crianças tímidas,
jogados em uma terra sêca.

Mudam a forma e a cor do vento
que de amarelo se torna violento
e uiva como um cão sarnento.

Prendem a menina fanha
lambem as feridas, entranhas,
correm e brincam ao redor
da fogueira.

Pensam, pestes fofas e cretinas,
falam com hálito de rapinas
e entram em lugares sangrentos.

Estes seres inimigos,
desde cêdo se tornaram amigos
do menino famintio:
sedento de sortes e novos rumos...
ao infinito.

Manolo


Havia duas partes iguais
de um menino medroso
e um sombrio cachorro
latindo dentro do fosso.

Caminhando para fora
e viu a face de um porco.
Chorou,sorriu,brincou
de novo.

Correu dentro das folhas
e separou as formas
com seu amigo novo
e seu canino morto.

Ao longe viu uma garota
com seu crucifixo,
gritando, um grito aflito
com medo dos seus monstros.

Tocou a pele fria,
puxou os seus cabelos,
olhou para o espelho e
voltou para casa.

E dentro do seu caderno: palavras,
Um novo amigo, uma garota, um mundo totalmente novo.
E um cão morto.

Tímidos


Fui desbravar
em sonhos coloridos.
Complexos , divertidos
de infinitos sons.

Deixei-me escalar,
os picos sorridentes
de tinta reluzente,
cobertos com maçãs.

Seus longos casos,
de amores assassinos.
Os seus ocultos hinos,
de mera profusão.

Eu preferí os dedos,
que sujos com o doce.
Não choram,não perecem,
e nunco dizem:Não.

"Pequenas pragas
que se alimentam
de alegrias,
que passageiras,
mortas,
são falsas:frias!"

Fagulha


Não há valor,
não há calor em nada.

Nem gelo frio
nem o aço em brasa.

Só há um corpo que repousa triste,
sobre um monte de papéis usados.

Sobre um monte de destroços caros,
descança o corpo sobre as maldades.

A tirania esconde a verdade.
A fantasia mata a criança
que se afunda na solidão,
na ânsia,que chora dentro da sua alma triste.

Que espera,
que quando o seu corpo for morrendo aos pouco,
que realmente , a sua alma existe.

Que as maldades não me tornem fosco.

Louco


Mas os seus olhos
só me viam torto.
E eu mais tolo me deixei levar...
Continuei sofrendo sem cessar.
Continuei moldando, pó e choro.

Cantei meus hinos de lamentos mortos.
Larguei a faca sobre a mesa lisa.

Franzi a testa e beijei a brasa.
Minha língua pesa como toneladas.

Fechei os olhos para
tudo e todos.
Meu corpo morto
banhado de baratas,
e a voz ao longe que chorava, pára.

Meus pensamentos sujos como um porco.

Meios


Se fácil fosse ser, seria.
Se simples fosse ver, veria.

A vida não espera minha,
a minha mínima festa.

Queimando os meus olhos negam.
Chorando, eu me sinto leve.

E crendo minha alma eleva,
seu grito de amor me quebra.

Esperança de um dia fragrante...

Amigos que o Além conserva.

Marte fica longe


Na face amarga,
na vida e na morte,
na moça sem sorte,
no lar de Apolo.

Em todos os cantos,
do mundo eterno,
que dentro do berço
dos seus pés feridos.

Gemidos no único marco,
janelas na única casa.
Farsas de uma pequena
e singela, alma cara.

No meu coração sem forma,
que não são dois arcos unidos.
Eu ouço,vejo e sinto...
Os seus pequenos pés feridos.

Venha e deixe de lado as dores!
Veja e pense como amar era doce!
Lembra?
Eu sei que existe um lugar...

Onde eu ouço, eu vejo, eu sinto...
Os seus pequenos pés feridos.

Brisa


Desenha o dedo
a areia cinza
mistura com a brisa,
com o mar eterno.

Fez, a tez de ferro
moldou a espuma lisa,
correu nos bancos, frisa,
as mais tristes mesclas.

Sentou, abriu as pernas.
Cantou, catou as penas.
Cuspiu o sal da lingua,
limpou as suas presas.

Prendeu a mão na pedra,
rasgou a carne viva,
gritou na areia cinza,
a boca, no vento frio, brisa!

Enfático


Perenes formas
nas mais vís sombras,
na minha linda e franca,
reunião de fracassados.

Pensar que nada,
que parece ser,
levanta...
Morte, ao seu primeiro pecado.

Caminhos vidrados,
anti caros,
caminhos distantes,
raros.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Desconhecido


O vento sopra para todo lado
e o barro sempre foi barro.
As mesmas formas desde muito tempo
vagando para limpar o passado.

Sensuais felinas que comiam
no berço de ostensivos reis
e que agora choram
seus ais cruéis.

Ninfas alvas que agrediam
servos, indiferentes como fél
e que agora carregam
uma casca negra, e derramam lama, nos seus olhos cor de mel.

A fé agora destrona suas faces
doces maldades que construiram aos céus
e mesmo com tanta crueldade e malícia
regridem com os descobertos pés.

O barro sempre foi barro
que da terra o pó se fez.
Porém o vento profundo e misterioso...
esta fagulha de inteligência prima,
transforma o corpo animal em tez.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Mivervan



Eu vi você naquelas roupas,
Chorando por uma garota.
E os seus olhos pediam socorro:
"Não mais pareço um palhaço sou um corvo."

Que triste então foi vê-lo partir.
E desistir em uma noite sem fim.
De amizades restaram lembraças
e das pequenas mãos apenas crianças.

Perto...
De um lugar deserto.
Mora...
Uma senhora triste.
Pensa...
Que seu amor ainda existe.
No seu costume vinho
e os redemoinhos
que os seus cabelos cobriam.

Fala...
Como se ainda fosse.
O ano em que o sol tornou-se prata.
E quando da vila restou placas
de avisos e recordações.

Chorou, e me olhou tão docemente.
Que os meus lábios dormentes,
sentiram ainda,
o sabor da ilusão
que é esperar.

E a velha senhora
ainda lembra
do calor que era
esperar na porta
o seu amado
no seu costume...vinho e rosa.

sábado, 13 de novembro de 2010

"Relutânte"


Agora eu posso decidir
quem sairá mais vivo daqui.
É uma ciranda de horror
que se vai,
e varre minha alma para trás.

Eu quero brincar
como fazia antes,
com areia e luzes enfim.
Eu quero sentir
como sentia antes,
de você
passar por mim.

Eu não posso imaginar,
como é que meu coração foi-se machucar.
É muita dor para poder imprimir
em uma imagem, sem fim.

Eu quero matar
como fazia antes,
com meus pesadelos
e frustrações.
Eu quero viver
como vivia antes,
de você
entrar em mim.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Piroptera

Metafísicas
e Paraformáticas
indecisas
placas.

Complexidades
apocalípticas
típicas
da fossa.

Aterradoras
pedintes corsas
frias
e temerosas
mortas.

Finitas
críticas
pseudo psíquicas
normas.

Inconstantes
nefandas
concepções sexuais
porca.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Agora Acabou

No instante em que sonho,
penso em te ver,
nos meu lindos carrosséis,
que não preciso crer.

Eu procuro uma forma,tola,
para moldar
toda a minha vida se transforma
quando estou lá.

[Ponte]

É uma velha história triste
que embala corações
mesmo assim,não mais existe,
em mim acabou.

[Refrão)

Pétalas voam
e recordações
cinzas ecoam
aquelas canções
que de tristes se afundaram
em um pântano de horror
e que aos poucos
os seus gritos...
Eu sei acabou.

Agulhas sem pontas
e sem direções
ainda apontam
em seus corações.

Em um lindo dia claro
a mágoa acabou
e as brisas que gelavam,
a chama esquentou.

[Ponte]

É uma velha história triste
que embala corações
mesmo assim,não mais existe,
em mim acabou.

[Refrão)

Pétalas voam
e recordações
cinzas ecoam
aquelas canções
que de tristes se afundaram
em um pântano de horror
e que aos poucos
os seus gritos...
Eu sei acabou.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Ambos


Volta agora a ser como eras
ninguém ousará perguntar,
se deixou para trás o que tinhas
e sorriu com o medo de errar.

Sai da água que o deserto espera
vem de longe para te secar,
é melhor escolher as primaveras,
que esperar.

Vamos logo
que a noite espera
pois no lado
mais estranho
você adora estar.

Com aquela maquiagem
negra fera
com aquela sua beleza
com aquele ar
de princesa
que a cada dia
o seu príncipe
envenena!
Não tenha medo
sua face é linda
sua boca
ainda
pede
o liquido
da liberdade
da verdadeira
deidade
da sua era.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Dicentra


São flores
que choram
e acendem
o novo dia
que apredem
as risadas
dos duendes
as piadas
das suas fadas
que se calam
para ver
o que acontece
com aquelas
que esquecem
de amar
os seus deleites
ou beber
com água quente
o seu chá
que enlouquece
as novenas
dos que atendem.
Corações falsos
respondem
pelos
cacos
que despencam
da janela
do meu lindo
e amarelo
louco
tímido
amigo
novo
que do óvulo
grita aflito
para me dizer
em um grito:
"Eu te amo
amor
louco".
São flores
que cheiram
perfumam
dores
cores
que lembram
as antigas
moças
que
dançavam
ao redor
daquelas
fogueiras
e cantavam
se apertavam
rodopiavam
a noite inteira.

Trocas


Tecendo lençois de seda
com agulhas na minha mão,
espero que não esqueça
que o sonho não é vão.

Que muitos dos que rezavam
agora andam no chão,
cheirando a substâncias
que muitos já dizem,não.

Cortando papéis dourados,
colando fitas no céu,
eu vejo o ser calado,
mirando-me lá dos seus.

Os tantos que se arrastavam,
tragando a combustão,
são estes que agora rezam,
com os joelhos no chão.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Aleixo

Caminhando...
Caminhando...

Sua pele,
está ferida,
como se fora arrancada
como se levasse brisas.

Delicadezas longe.
Mudou seu modo de falar;
Sem o medo que matava-o.
Olha os outros por cima.

Certo ou errado? Não importa.
Cansou de carregar troncos podres.
Deitar-se em camas sujas.
Comer geléias imundas.

Cansou de ser quem era.

Correndo...
Correndo...
Que o tempo é curto e o nada ninguém espera.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Farpas


Está em branco,
minha vida negra
de uma vermelha briga
tornou-se tudo prata
e o dourado da sua face ingrata
se transformou em uma relutância cinza.
Sorri e os meu dentes amarelos iam
se encontrar com o azul de sua aura,
eu transformei sua laranja fauna
em uma rosa alegre sinfonia,
Está em negro,
minha vida branca,
de uma vermelha briga,
tornou-se tudo,nada.

Crotalus


Não vale a pena desejar
o seu corpo pequeno,
e nem sujar as mãos
com sua alma.

Assim como detesto venenos
a minha vida não quer perder a calma.

Mas eu procuro o seu ser sereno
e professando para dentro eu falo:
"Melhor que fosse eu morrer vivendo...
Melhor do que viver morrendo, ao acaso".

Destrava a porta da sua infância
e deixa a ansia a devora-te.
Ouve as palmas que a platéia lança,
sobre o deserto ocre de Muhaves.

...frias e regredir...



De que adianta:
viver na água quase um ano,
e despertar com os pulmões rasgando,
chorar ao ver a luz que dilacera.

De que adianta:viver engatinhando como cão,
comer pedaços de uma carne fria,
e despejar os restos no corpo,
chorar ao não ver a mão que alimenta.

De que adianta:
Cair e ferir os joelhos,
correr com medo de seres outros,
imaginar que o mundo inteiro, é torto.

De que adianta:
amar e sentir alegria,
correr e mergulhar em águas,
...boiando o corpo no oceano.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Cantiga Triângular

Pingos de açucar
na sua mão,
na sua nuca
uma canção.
Penas de pombos
que cantam ao longe,
fazem do monte
uma lição.
Pesos molhados
em meu cabelo
mostra o espelho
da perfeição.

Entro

Merece ser aceito!
Sem preceitos, sem preconceitos.
Merece ser regado, sem recados
ou proveitos.

Merece seus caprichos,
o seu lixo
ser perfeito.

Merece ser cortado
mascarado,
e desfeito.

Daemom III

Venha fada sentar aqui ao meu lado,
fala-me como é viver o passado
fala-me como é carregar o brilho nos olhos.

Venha fada e me conte os seus segredos,
faz de mim o seu diário,
escrevendo com pó de diamante na minha língua.

Não esqueça de deixar livre a minha vida...
Não esqueça de plantar em mim a mágica...
Aquela que você vive desde que foi criada.

Traz a faca, fada louca,
ponha em mim a sua boca
deixa o tempo me transformar em nada!

Presentes

Pode-se encerrar agora meu ato
sendo eu mesmo o portador da desgraça.
Posso Sinalizar com uma luz a estrada
para a minha triste alegria.

Posso ainda ser melhor que naquele dia.
Quero poder ver melhor do que antes.
Quero comer carne de elefante
e limpar meus dentes com o Marfim tão branco.

Talvez até, deslizar sobre aquele corpo pequeno...
E até um dia provar o salgado veneno
que escorre pela flor da perdição.

Venho de um lugar de medos.
De um lugar onde os Ratos gemem,
e todas as noites dançam para os seus ritos de Amor.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Soneto de Animalidade

Não são palavras que irão me conter
Não são seus olhos que irão me morder
Não são os dedos seus que me empurrarão
Não são os dias que me divertirão.

Nada está no seu lugar
nada há de fantasiar
nada há de entristecer
Pois nada bom pode vir de você...

Não são mendigos que me comoverão
Não são gemidos que me assustarão
Não são os sonhos que eu irei comer
Não são as noites em que verei sofrer (você).

Nada está no seu lugar
nada há de fantasiar
nada há de entristecer
Pois nada bom pode vir de você...

Angustias


Quando o arrependimento vem bater a minha cabeça, eu viro para o lado da parede que não está riscado. Rabiscos de todos os tamanhos que enchem meu coração de amargura, de uma diabólica dança, pois sei o que me espera.Faço planos de não mais cair em tantos buracos. Parece que não há saída! Em quê acreditar meu DEUS! Tudo parece cair no mesmo buraco do materialismo sem necessidade e minha alma grita por ajuda, presa em olhos paralisados.Em um nojo por tudo o que cometo, pelos caminhos da desgraça por onde caí, e o sue caedere parece ser o único amigo agora!Será que devo despir o meu corpo da responsabilidade, será que tenho o direito? Vejo tudo girar como uma corda querendo prender ao meu pescoço, será que pulo, ou desço direto ao poço de amareladas folhas de aviso!Posso parar com tudo isso imediatamente, mas o medo me faz retroceder em mais uma tentativa, que desgraça paira sobre meu espírito negro.Será que Deus me concederia um livramento? Será que minha fé transportaria o tormento para longe...Meu anjo protetor está por perto me livrando de tamanhas tristezas? Não sei mais o que fazer, se espero ou se começo a ação que trará a minha liberdade ou a minha condenação, minha eterna condenação em um lugar de angustias multiplicadas em milhões de faces desfiguradas! Não posso mais querer que as coisas sejam como eu quero, que as coisas se façam como eu espero! Ainda me resta a esperança de uma graminea plantada em meu coração...Que minha morte seja rápida e súbita sem deixar traços, sem deixar nenhum rastro.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Esquecidos


É complicado quando se é esquecido.
Muitas coisas vêm na mente quando somos esquecidos:
E é o tempo que as lágrimas começam a escorrer pelos olhos vidrados na imagem de alguém.
E nada do que digam pode afetá-lo de alguma forma.
O amor para você começa a deixar de existir no exato instante em que o "não" surge, quando ele vem trazido pelo vento, frio, pesado e cheirando a podre. O amor deixa exatemente de existir nesse instante. E você começa a cavar uma cova, bem funda para que não corra o risco de sair, sua vida se resume a respirar, só isso. As cores começam a sumir aos poucos, o preto começa a vir fazer parte de suas vestes ou então, nem isso, você esquece de vez que existem cores e qualquer roupa não passa de uma simples roupa. Os animais perdem a beleza, o canto dos pássaros se torna apenas em piados irritantes, a chuva não mais é divertida como antes. Tudo escurece ao seu redor. Cada pessoa que tentar se aproximar de você é alguém querendo destruí-lo mais uma vez...Tudo isso por causa de um "não" amargo.Um beijo não passa de um entrelaçado de línguas com uma troca de bactérias e um nojento vai-e-vem nojento.Sua pele não tem mais a cor bela que todos acharam um dia. Seus cabelos agora caem, os seus dentes amarelam, sua voz, assim como o seu coração congela.
Talvez até surjam oportunidades de mudança mas você não quer nada de mudar, sua vida acabou e pronto, não há mais saída, cada sopro é uma angustia tímida, cada verso escrito é um grito.Cada rosto pedinte é horrível. E a sua boca parece querer rasgar, tudo em você parece querer desmoronar, tudo isso pensando em alguém e esquecendo de si.
Você tem medo de começar tudo, com medo de que tudo vai acabar um dia, e isso é frustrante para você...A dor é a única saída,a morte, a anti vida. "De quê adianta construir o seu reino se um dia as larvas comeram as carnes das fadas?", você diz, todos os dias.
Um pobre coitado é o que você se torna! E o pior de tudo é que está marcado na sua pele essa letra ridícula, essa cicatriz maligna de um arrependimento que te faz querer morrer! Tudo isso para lembrar a sua fraqueza? Para que então tudo isso?
Querem vê-lo sempre debaixo de braços doentios, sempre abaixo do nível...Tudo isso por causa de um "esquecimento".

segunda-feira, 12 de abril de 2010

No Fundo do Pote


Quanta inveja que me rodeia, meu Deus! Fico muito surpreso por tantas pessoas me odiarem, será algum novo jogo? Para qualquer lado que eu me vire isso ocorre. Talvez seja por eu sempre ter sido um pouco exótico, é interessante ser assim quando ninguém olha muito para você. E esse alguém sou eu.Tanta inveja pode sinalizar que estou conseguindo aquilo que elas, as pessoas, nunca acreditaram que eu conseguiria ter. Não falo de ter passado no vestibular, minha aprovação já estava escrita em algum lugar da minha mente, o esforço foi como o de tomar um copo com água. Falo mesmo é das coisas que eu resisto, e que elas conseguem muito fácil, conseguem jogando fora os princípios que eu sempre tentei cultivar, mesmo sendo visto com olhos tortos. Eu choro com qualquer comédia romântica, mas apenas quando estou só! Isso não interessa muito, o que importa mesmo é tentar descobrir de onde vem tanta amargura, eu sei que odiamos aquilo que amamos um dia, é fato e a ciência pode comprovar isso, principalmente quando se cheira cocaína, nunca cheirei, mas senti a dormência na ponta da minha língua.
E de onde vem o ódio? Devo ter criado um comportamento semelhando ao que me atiram, é por isso que o percebo tanto.Escrevo muitas coisas belas, e na maioria das vezes eu nunca ponho em prática, é só pra enfeitar algum verso ou terminar bem o fim do poema.
As coisas boas nunca são realmente assim, em tese tudo é belo, na verdade, tudo é ódio.
Que vai acabar quando eu estiver longe daqui, desse mundo pobre em que vivo, e que procuro a saída na fantasia, me escondendo na vida de outros seres, mas mesmo em Lofaron o ódio vive.

sábado, 10 de abril de 2010

Chuvas


Em dia de chuva parece que tudo fica mais lento. O frio começa devagar como quem não quer nada, e daqui a pouco se torna profundamente colado em nós.As folhas das árvores pesam e a gravidade as puxa com uma força lenta.As árvores são belas apenas em dias de chuva, pois mostram o seu ballet melancólico e energizante.As ruas parecem rios de piche e quando olhamos melhor, vemos que a água é bem limpa e que desliza em uma interminável queda.As pedrinhas que rolam do alto do morro mostram a fragilidade das nossas esperanças. Tudo em dia de chuva é mais bonito e mais triste também. A tristeza da finitude das coisas.Dias de chuva são muito frios, sempre esfriam nossos corações, sempre nos lembram em tudo o que mais é passageiro, a vida. Dias de chuva são apocalipticos, aquelas nuvens pesadas, parecem que vão cair destruindo nossas almas, nossa civilização e nossas queridas lembranças. Pois mesmo em dias de chuva é bom sonhar. Sabendo que são passageiros, assim como a idéia que um dia de chuva, que está impregnado em mim, em todos os meus seres.
Os dias de chuva são monstruosos e mesmo sendo, eu prefiro que o sol que nos mostra a face sempre feia da realidade, seja coberto por uma grande e gorda nuvem de fantasia.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Lágrima 2893


Rasga os olhos e tudo o que vem de dentro,
e pára como suas simples dores florescentes,
em uma cova de plutônio pesado,
chora, todo seu descontentamento!

Floras, ninfas imundas de antigos mitos,
gritos surdos de uma pura amargura!
Fantasmas agrestes de uma seca que tortura,
faces, bricam no céu cor de festa.

Olha! Ali está a alma que detesta,
a criança maldita de sua infância!
Veja! Como tudo que era cinzas brilha,
e como tudo que era belo a sua vista cansa!

-Fatores improváveis de uma antiga aliança-...

Pensa, como tudo passa,
e vê, como tudo descança!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Aos Galhos


Foram dias em que chorava por você garoto! Chorava todo dia como um louco
e fui deixando rastros de mércurio por todos os lados,
com um termômetro perdurado no pescoço.

Foi-se garoto as minhas mais belas palavras,
os meus mais lindos e delicados versos foram-se,
resta-me o doce saber da verdade,
e um verdadeiro sabor de desconfiança.

Deixei de passear por Lofaron, meu amor torto,
parei de cutucar e evocar seus espíritos sofredores,
cansei de criar caminhos -todos sem volta- cansei!
Desisti de cultivar o ardor.

O fogo azul pequeno amor,
não mais queima os espantalhos lá do monte,
não se ouve mais as juras que faziam,
não há mais um Ipê no centro do bosque!

E meu coração agora ferve sem sorte,
meus olhos agora estão cheios de veneno,
um terrível e maldito gênio que me espreita,
e que espera a sua primeira e ultima chance...

Cansei amor, cansei de desistir da Morte!

Libertação


Quando o mundo inteiro se derrete
e meus olhos em você se perdem
ou a morte vem dançar.

Quando a chuva desce pelos ossos
perfurando nossas carnes
tudo pára de rodar!

E o medo todo entra em mim
e as flores correm do jardim
de sua jaula de beleza.

Minha mesa está cheia de moscas
não mais falo pela boca,
e tudo cheira a horror!

Dorme comigo uma puta
fala comigo uma dama
senta em mim um menino estranho
morde-me uma víbora mansa!

sábado, 3 de abril de 2010

Fator [ 35°C]

Vamos para o fim do túnel
onde mora todos os ratos,
que se entregam ao lixo morto
de nossos amores?!

Que dores meu Deus!
Que dores!
É tudo o que sinto em mim agora,
e pára tudo quando tudo começa!

Você meu demônio,
que destruiu minha inocência e que mesmo assim eu busco em casa objeto,
morto, ou vivo.
Eu sinto ainda pulsar em mim as mesmas emoções de antes,
não ligo meu amor para tudo o que dizem,
não espero que aceitem o que sinto,
o que importa é que está vivo dentro de mim...

Destruindo-me para sempre
nessa ciranda diabólica de prostituídas verdades.
Virando eu um mendigo dos seus olhos,
e minhas lágrimas queimando o meu corpo,
pois banham minha cama,
minha alma,
o meu silêncio.

Banham o meus despeitados comentários
as minhas invejosas lições de hipocrisia.
E as frias canções da madrugada;
de mortos, mortes,montes, monges,frases forçadas.

[Não há sentido, quando não se tem um sentido a seguir]

quarta-feira, 24 de março de 2010

Vermes


Seus dogmas, seus deuses o seu vício,
desmontam sobre uma ponte só.
Desbrava esse mundo de maldade,
destruindo, um pobre sonho de um menino.

Suas leis ultrapassadas,
enferrujadas como prego,
que fura os pulsos de um cego,
que rasgar os olhos de um gato.

Glórias secas ao acaso,
como vís mãos que alimentam,
uma boca que sustenta,
mágoas, dores e pecados.

Quando cai a noite em maio,
seu desejo então aumenta,
vai buscar seu alimento,
no menino do outro lado.

Vai queimar seus postulados,
o seu ódio, aquele nojo,
vai tornar tudo de novo,
e gozar felicidade.

E depois na assembléia,
vai varrer com a mentira,
com a hipocrisia fina,
de um bando de covardes...

Meia face e tudo se cala,
o menino engole brasa,
e vomita a angustia,
de uma vida sofrida, de uma alma sem vida, em plena reunião de armaduras.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Antes do Mundo


Eu sei que necessito de uma luz,
que preenchesse meu coração:
de paz, de amor, de perdão...
De tudo que não seja paixão.

Eu tento chegar aos seus pés,
não posso pensar em ti e não chorar...
Se apodera de mim uma força estranha,
que ninguém jamais me fez sentir.

Seguir seus passos,
parece ser um sonho impossível.
Mas se eu ficar aqui parado,
jamais contemplarei seu rosto.

Farei assim tamanho esforço,
para poder me livrar desse corpo,
pesado e cheio de erros.
Um dia encontrarei você, de novo.

Esperança (06/05/2009)


Para cada infeliz há uma moça,
um fonte de prazeres, uma dama,
uma casa bem cuidada, uma cama,
uma noite, e o gozo, o gozo.

Para cada boca faminta há comida,
vinho doce, frutas virgens,
o tempero da alegria que penetra.
Para cada língua azeda há o açúcar.

Para cada corpo podre, uma mosca.
Para cada velório, uma sinfonia fosca.
Para seus infantis sonhos, há realidade.
Para cada gota de bem, um oceano de maldade.

Para cada paixão louca, há um anjo.
Para cada flor murchada, um arranjo.
Para cada coração cremada, um cofre.
Para cada cão inerte há a ânsia.

Para cada lágrima,
para cada dor,
para cada queimadura, ruptura...
Para cada perca...Esperança!

Mi [M] (22/04/2009)

Eu quero você:
Junto aos meus braços, junto a mim.
Seu beijo me envolvendo como fogo,
o seu carinho todo aqui.

Eu sei:
que a vida continua,
que minha alma está nua,
que o vento atravessa o meu corpo como flecha.

Que pareço com um bobo,
me humilho a cada instante,
quando penso em você,
não consigo esquecer.

E um dia talvez, estarei lá ou bem ali.
Cavando a sua cova fria e rasa, não tema,
me atiro junto a ti,
enterrados sob estrelas.

Tu és Zéfiro o meu vento,
que atormenta os meus sonhos noturnos,
minhas viajens ao além, o meu maldito veneno.

Eu quero você:
Junto ao meu corpo,
junto a mim.
E eu caindo ao inferno, ao inferno,
bem próximo de ti.

terça-feira, 16 de março de 2010

Santuário



Dentro da casa ouvia-se passos, frenéticos diria...Para um lado e para o outro. A luz da varanda apagada, a da sala idem e todas as outras da casa. Ficou apenas a luz da vela que ela carregava.Seus olhos estavam cobertos de lágrimas, os cabelos cacheados perdendo o brilho natural, fazia dias que não tomava banho.Estava com a mesma roupa desde que fora abandonada no altar da Igreja do Coração Sagrado.





Católica fervorosa, agora estava parada de frente ao altar que construiu no cantinho do seu quarto com suas dezenas de santinhos, rosários e cera.





O vestido branco estava amarrotado e as bordas sujas de lama, a lama de um dia chuvoso, pois ela saiu correndo pela cidade procurando o seu amado. Não o encontrou.





A família que ela tinha era ele, o resto ela não conhecia, foi adotada desde cedo por uma senhora e quando tinha 20 anos ela morreu, vivia apenas dentro de casa...Sua mãe se ocupava a ensiná-la as matérias da escola, e a aposentadoria era suficiente para as duas.





Ela era tão importante para ela, que no altar dos santos tinha uma foto sua, ela acreditava que sua "mãe" pudesse protegê-la.As promessas que ela fez para as imagens não valeram de nada.





Ouvia-se agora o barulho do gesso se quebrando...Um, dois, três santos foram quebrados na parede contra o espelho e os outros foram atirados pela janela junto com os rosários. Mas a foto da sua mãe continuava lá, no lugar de todos, pois ela lembrou que foi avisada sobre o mal dos casamentos, sua mãe dizia que nunca se casou pois "sabia" que não teria sorte e que no mínimo seria abandonada no altar...As palavras dela ficaram martelando a sua cabeça e mais lágrimas rolavam enquanto ela olhava, paralisada, a foto daquela senhora negra de rosto tão ameno.





Deixou a vela de lado e olhou em volta do seu quarto;a sua cama estava cheia de presentes. Mas ela não se importava com nada daquilo, pôs a foto em volta dos braços e deitou no chão. Pensando que aquela casa não era tão confortável quanto há dois dias atrás, onde estava deitada com o seu amado. A casa a sufocava e muito.Olhou para o chaveiro e lembrou que sua mãe tinha uma casa no litoral onde ás vezes passavam o verão apenas as duas. Nossa, há quanto tempo que ela não voltava naquela casa, anos, muitos anos. Claro, uma mulher de trinta anos de idade e bem sucedida não tinha necessidade de passar o verão no litoral, haviam "resorts" mais belos...Mas não haviam pessoas mais belas como aquelas que sua mãe sabia ser todos os dias.





Era a hora perfeita para voltar na casa, esquecer um pouco as coisas tristes e lembrar dos momentos felizes com sua mãe. Ah! E quase que ela esqueceu do quarto de brinquedos, todo o mês sua mãe comprava uma boneca ou um urso de pelúcia e isso acontecia desde sempre. Meu Deus como ela poderia esquecer! A ultima boneca que ganhou sua mãe havia comprado um dia antes de falecer.





Estava convencida de que esse verão sem casamento seria melhor ao lado de boas lembranças...Boas lembranças no seu quarto de brinquedos.












A noite não foi muito boa. As lembranças do casamento frustrado insistiam em acordá-la a cada instante.Levantou uma vez para beber água e aproveitou para trazer a garrafa e um copo, para o caso de ainda ter sede.Deixou a cama como estava-preferiu o chão.




No dia seguinte tratou de retirar o vestido e jogá-lo no lixo,pensou apenas, mas decidiu deixá-lo no quarto junto aos presentes que nem chegou a abrir.




Foi ao banheiro e tomou um banho bem gelado no intuito, talvez, de despertar daquele pesadelo.Ela comeu duas ou três frutas que estavam sobre a mesa,mas não tocou nos docinhos da festa e que viera o caminho todo comendo, os ignorou.




Pegou um vestido florido,um par de sandálias e a chave da casa e do carro. Agora era a hora de viajar.




A casa ficava a cinco horas da capital, era uma longa viajem solitária rumo à um lugar que ela nem sabia se ainda existia, mas fazer mais o quê? Era o único lugar "seguro" que pudesse passar esse verão trágico.Ligou o carro, deu um longo suspiro e se despediu de sua casa.




Toda a sua viajem ela foi pensando como seria diferente se não tivesse conhecido aquele homem.Se sua vida seria cheia de regalias? Sim, seria, pois tudo o que conseguiu foi com seu prórprio esforço, não havia a necessidade de se culpar. Na verdade esse homem veio mais atrapalhar sua vida,talvez ele buscasse "status" na empresa, pois ela estava acima de todos ali e abaixo apenas dos donos...Era melhor mudar o pensamento.




O caminho era árido, seco e quente! Ligou o ar condicionado, pôs os óculos escuros e seguiu em frente.Ao longe avistou uma barraca avermelhada, poderia ser algum vendedor de frutas, era melhor levar algo para passar, pelo menos esse dia, amanhã procuraria por algum mercado.Parou e procurou alguém...Olhou mas não avistou nada. Que estranho uma barraca abandonada.




-Olá minha querida!-




Ela tomou um susto e quase falou um palavrão. Uma mulher vestida de vermelho e maquiagem carregada, apareceu de repente, logo após ela olha para o outro lado!




-Estou precisando de frutas a senhora teria uvas?- Disse ela.




-Desculpe-me mas não vendo frutas!




-Que pena, sabe onde posso encontrar?




-Acho que apenas no litoral você encontrará alguma quitanda, por aqui há apenas essa barraca.




Achou estranho haver apenas aquela barraca por ali, de um lado e do outro só se viam plantas rasteiras, de onde aquele mulher vinha?Será que dormia ali?Não, era melhor nem pensar já estava com muita sede e o caminho era muito longo.




-Obrigada senhora!




Quando foi fechando a janela a mulher gritou!




-Espere!Eu tenho algo aqui que irá agradá-la!- Que bom, ela já estava com muita fome e sede, qualquer coisa era bem vinda.-Tome!




Uma carta, a mulher lhe deu uma carta, daquelas de tarô com uma moça segurando a boca de um leão!




-Mas o que eu farei com isso?- Perguntou ela atônita esperando receber pelo menos um copo de água!




-Apenas para lembrá-la de que a queda pode ser vista de diferentes ângulos...-E fez um sinal com a cebeça, como de despedida, mas antes retirou de dentro de uma caixa uma fruta do conde e deu para ela.-Tome deve está com fome.




Ela agradeceu e foi-se embora, olhando aquela carta, aquela mulher segurando a boca de um leão "La Force", estava escritou embaixo, A força!




E seguiu viajem rumo ao litoral.






Dentro de alguns instantes chegaria na casa. A cidade estava tão diferente de como era antes.Meu Deus, o parquinho que ela costumava brincar estava totalmente destruído, parou o carro, respirou o ar puro com cheiro de mar e desceu. Não haviam crianças por perto, as casas pareciam abandonadas, será que todo mundo havia fugido dali?Passou as mãos pelo resto de grama, a grama seca que ainda restava e que furava seus delicados dedos, mas continuou ali por algum tempo, pensando na FORÇA!



Será mesmo que ela tinha aquela força que a moça de vermelho disse? Ela duvidava muito disso e deu um sorriso. "Forte eu?" pensou.Mas ela talvez não soubesse que já havia enfrentado muita coisa durante os últimos mêses. Sim ela era forte, forte o suficiente para aguentar as memórias daquele parquinho...Forte demais para suportar os fantasmas da infância!




Depois de descançar no parquinho ela percebeu que já estava anoitecendo e as luzes dos postes ainda não estavam acesas. Entrou novamente no carrro e seguiu na direção nordeste di litoral, passou por uma feirinha -apenas barracas, nenhuma mercadoria- e reconheceu que estava perto.




A casa na verdade ficava o mais próximo possível da praia. Poucos metros dentro do carro e chegou em frente aquela casa velha,com a sua cor azul desbotada em alguns lugares, sua varanda cheia de areia e suas janelas enferrujadas pela maresia.




Nada disso a intimidou, ela não voltaria dali, depois de ter decidido ir para a velha casa do litoral.Não, ela estavdecidida que entraria, por cima de areia,janelas e o que quer que fosse.


Retirou da bolsa a chave, foi até a porta e para sua surpresa, não abriu!


-Como assim não abre, vai abre, abre! - brigava com a porta como se tivesse brigando com alguém, uma cena cômica, mas desesperadora para ela. -Que droga, a chave não é esta, deve ter ficado dentro da gaveta.Eu vou entrar ai nem que prescise arrombá-la.




E ela o fez.




Dois a três chutes e a porta se abriu, o ferrolho estava tão fraco que cedeu e um sorriso de missão cumprida ficou estampado no seu rosto durante alguns segundos.




Como uma cega,começou a tatear as paredes a procura de um "botão" para acender as lâmpadas.Havia, mas não havia energia para ligá-las.




Ela então bateu o pé no chão literalmente e retirou da bolsa uma caixa de velas, eram suficientes para não passar a noite no escuro e ainda por cima conseguir encontrar o quarto.


Acendeu-ás e conseguiu subir a escada, não procurou desbravar muita coisa, apenas seguiu em frente e foi deixando velas e mais velas, espalhadas por todo o corredor, até chegar ao quarto, intácto! perfumado! belo como antes!Não havia nem poeira no quarto, era o quarto dos brinquedos.




Deixou uma vela no chão e de tão emocionada que estava nem conseguiu olhar muito o que havia dentro do quarto,apenas lembrou que a porta do carro estava aberta, que faltavam coisas para comer e mais velas eram necessárias. Desceu,fechou a porta do carro, pegou suas coisas e subiu correndo-parecia até que alguém a esperava.


Tudo parecia como antes!Meu Deus como ela estava feliz naquele lugar, não esperando e nem desesperando por nada.Ela sabia que tudo o que precisava estava ali, um castelo cheio de bonecas, ursos de pelúcia,vaquinhas,leões, e tantos outros animais.Era a coisa mais linda do mundo.E pensou por que não tinha voltado ali, antes.

Dormiu toda a noite tão rápido, adormeceu normalmente.
Rodeada de brinquedos, sonhou...Um sonho fantástico, uma história linda e triste que fora resumida na sua pequena mente...Depois ela iria colocar no papel toda aquela experiência...Mas agora tudo o que importava era voltar para casa, na cidade, com sua fuligem, com seus traidores porém com uma certeza, que havia outro lugar em que poderia estar longe de qualquer problema desses...Uma casa, cheia de brinquedos, em um chão mágico que provocaria sonhos, nunca antes sonhados.

segunda-feira, 15 de março de 2010

P -523

É até engraçado
o seu jeito de me olhar,
como se eu fosse
a qualquer momento mordê-la.

Ela não desiste de me seduzir
mesmo sabendo que eu sou diferente.
Com seus grandes seios
com seus grandes lábios.

Uma dama,
quase imaculada!?
Não, jamais!
é apenas uma vadia.

E como dizer a ela que tudo acabou?!
Não sei, mas mesmo assim não desisto de rezar.

quarta-feira, 3 de março de 2010

ONI

Sintir-se perssegudo sem cessar.
A febre do gemido sem voz para falar,
um lado corrompido de luxuria
que não pode reclamar,
um quadro moldado com o grito
de um gênio do lado de lá.

Que está aqui perto,
perturbando o meu mundo
com meus pecados
e meus desejos profundos,
roubando de mim o alimento,
se bom fosse esse gênio,
por que então eu tanto temo?

Um podre desejo,
por fora,
por dentro,
ao sono eu peço,
um pouco de tempo,
um pouco de tudo,
e nada que temo.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Intestino Grosso


Baratas servidas em um prato de mofo.

Uma mordida no ovo podre,

um gole no leite azedo ,

no pão de "tenébrio"...



No doce coberto de formigas,

no pedaço de torta mordida

por ratos,

por catitas.



Que nojo,

que nojo,

cheiro de escremeto,

um ar de lugar morto.



Uma ânsia de vômito,

que não pára,

que não se concretiza...

Cobrindo o meu corpo de baratas,larvas,moscas...Mata!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Quebrantado

Jovens e felizes,
apenas amigos.
E um mundo tão lindo
que tanto sonhavam.

Borboletas bebendo
o leite das flores.
E o rio cheio de peixes
pequenos, montes.

E os jovens amantes
da natureza,
desbravadores
de animais esquisitos.

Com suas crenças
em fadas e duendes.
Em folhas que falam,
em um mundo sem maldade.

E então chega o dia da despedida
aos seres mágicos,
as histórias que viveram
na infância.

Vem assim vestido de negro,
portando uma chave na mão
e um cadeado na outra -em sonhos-
um moço...

Entrega a chave ao loiro,
e ao negro deixa o cadeado enferrujado.
E some em meio a carros e pessoas,
apressadas, nervosas, cansadas.

Acaba tão rápido o sonho
os seres,
a floresta
a água.

Acaba assim, simplesmente acaba
o desejo de se verem,
surge um repúdio,
surge um nojo...em quase tudo.

Vislumbrados com a nova floresta,
um floresta de enormes pessoas apressadas,
de rios, e rios de esgoto...
De folhas de papel que dizem:" Compre agora!".

Acordam e se tornam...
parte viva da floresta,
de verdadeiras mentiras.

Seriedade

Decepção se chama
aquilo que não quero ser.
Mas apesar de tudo,
me persegue.

E dentro desse circulo de fogo
ardente.
Eu sonho como um lobo
querendo comer carne.

Agora eu risquei,
Agora eu rasguei
as cartas de amor
que um dia escrevi.

Tão cedo não vou
me sujar com vocês.

O mundo não merece
mais alguém como eu.

Deve ter sido ódio
mas agora acabou.
O sonho do garoto
cor de lama se afundou.

E o cheiro da
discórdia
que um dia plantou,
será como a carda, que o sonho apertou.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ouça-Me


Só preciso de um minuto para poder chorar um pouco.
Retirar do meu pescoço esse grito de horror.
Misturar as minhas crenças em um único objeto,
e deixar a existência, o seu céu ou o inferno.

Eu preciso de uma prece que me faça regredir,
para quando o mundo era uma simples bola escura,
e meus lábios não podiam se ferir,
não havia um corpo de animal, me servindo de armadura.

Vamos todos os meus seres,
cantaremos juntos,
para se livrarmos
desse insulto,
borboletas cobrem o nosso leito
para sempre como um
simples defeito.

Eu queria que o mundo
não soubesse que existo,
não preciso de um sorriso,
não preciso de vocês.
Eu pretendo desistir
desse circo de maldade,
e moldar a minha face,
com um olhar de desgosto.

Sombras no quintal
cheio de lepras.
Vermes imortais,
que me cercam,
cercas de arame,
que me arranham,
do meu reto,
saem aranhas.

Tudo isso um dia, será mais uma história,
e pára por agora, toda a minha alegria,
vivendo como um louco na gaiola doméstica,
eu sinto como uma peça, estivesse indo ao fim.

Aplausos para mim,
que passo ao outro lado,
para divertir,
demônios alados,
que me necessitam
para roubar-me,
que só podem ir
aonde eu vá.

Tanta mágoa seca que sujou meu coração,
e toda bondade que eu faço vira vã.
Não lembram que sorrisos eu tanto lhes mostrei,
e agora só se lembram daqueles passos que errei.

Flores no meu copo de sobremesa,
e os seus espinhos,na minha gengiva
estou quebrando tudo
que possa curar-me,
e nesse instante surdo quero que tudo acabe.

Frases soltas sem sentido,
vejo até mim.
Você não sabe o perigo que é viver aqui,
cercado de bestas-feras que querem me comer,
e ao simples pecado que cometo, vou morrer...

Paro a jornada de imensa dor maior,
a para onde vou serei daqueles o menor,
mas não resisto então viver assim como mortal,
e nem um imortal, e nem um imoral que sou.

Frases soltas que inferno,
esse verão maldito do inverno.
Ódio chove na minha língua,
que vermelha está de tantas feridas.

Suportando o peso da loucura de outrem...eu firo a sua nunca como se um porco fosse,
as suas oferendas aos seus estúpidos deuses negros,
ou aos seus gênios malditos,
malditos de terreiros...

Sinto nojo desses templos,
foi-se o tempo em que eu sorria,
era noite,
sonhos,
dia, era tudo que eu tinha...

Agora só me resta um pedaço de pão,
com um copo de água, que alimenta a minha mão.
A caneta ferida que estoura sem razão
e mancha mais ainda o meu triste...não.

Ninguém pode me arrancar mais nenhuma lágrima,
nem de raiva. De nada!
Fique sabendo que eu estou sozinho,
mas suas maldades irão junto comigo.

Não haverá ninguém para perseguir.

Meu favorito desejo estúpido.

O meu particular, cárcere fundo.

Esquece Como Minto


Você diz que ama o seu mundo perfeito,
que suas ilusões,
que tudo isso é o certo.

Lembra sempre que o meu pensamento é errado,
por isso eu escrevo, antes bem fico calado.

Nada do que penso é pensado por você
ou o que escolho é tão bom para se vê.
Minhas flores sempre são as mais sem cheiro
e o meu cabelo é sempre o mais feio.

Diga que seu lado nunca está sujo,
ou que minha cama se parece com um muro
que não me atinge pois sou mais forte que você,
e prefiro não falar pra todo mundo, e escrever.

Minhas linhas tortas sempre são uma blasfêmia,
as minhas palavras são como uma brisa amena,
naqueles seus ouvidos eu não tenho como entrar,
e no seu coração, muito menos vou ficar.

Você diz que não mereço o paraíso,
que meu coração é como um xisto,
duro, escuro e sempre, sempre,
dolorido.

Não se lembra que o levanto sempre,
que acolho os seus defeitos dementes,
minhas mãos são calejadas de ajudar,
porém, minhas palavras nunca há de escutar.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Descendo


Engulo tudo sem reclamar nenhum pouco, engulo um porco, uma aranha, uma cretina,uma madame fina, um imundo sem rumo, um mundo!




Engulo a água barrenta, salgada e podre que brota da minha porta (que não é minha).


Não tenho casa,não tenho sorte, não tenho nada além de mim.




Não vejo nada, além dos outros, e o meu corpo vai-se decompondo.Os meus calos aumentam,meus tumores doem, tudo em mim arde muito.




Muito fogo me consome as noites.


Sem vento, sem vento, que droga!




Engulo areia, fezes de vacas...Eu sofro o dobro, o sofrimento do outro...Do outro lado!




Eu falo, em silêncio, sim,em silêncio apenas que falo.


Apenas para mim.


Engulo coisas, que descem e querem voltar...




Engulo pelos ouvidos, pelos olhos, pelas mãos, pelo nariz eu engulo.




Não mastigo nada, apenas corro.




Bem para longe de todos que me odeiam,


que me rodeiam.


Bem para longe de tudo que não acredito,


que acredita em mim.


Bem para longe de quem eu sinto nojo,


e que fingem que não sentem também.




Engulo vidro, engulo velas,


engulo telas, engulo tinta,


engulo pedras,poeira, fitas.


Músicas velhas,fotografias


engulo brigas, sujas roupas molhadas.




Engulo a fome, a morte...




Engulo o choro.


Tolo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sopro


Ventos,
ventas, sombras lentas.

Ouro, fossa,
minha nossa!

Desalento,
fome, morte.

Sorte de quem gasta,
basta,pasta na ferida.

Arde a minha vida,
carne de segunda.

Muda, surda,
aleijada, não deficiente.

Indiferente,
voz fina, crente, cretina.

Templo barulhento,
tempo perdido.

Folhas morenas,
em um quintal.

Esquecido.

domingo, 31 de janeiro de 2010

NudeZ-Espero


Tem algo que eu quero desde sempre ter
seu sorriso
o seu belo
o seu ser
Tem algo que eu sempre quis ser
seu sorriso
o seu belo
o seu ser
Veio a chuva, muita chuva
e mostrou que seu sorriso
era tinta,
tinha branca.Acabou o sorriso.
Um incêndio, no meu quarto
e mostrou que a beleza,
que a pele,
a grandeza, era efêmera, passageira.
Acabou-se o seu belo.

Mas um dia,
sem sorriso,
e nem corpo,
sem mais nada.

Você veio,
com a máscara e o manto da vergonha...
Abraçou-me sem demora,
demorou em mim,derramou em mim, desmoronou em mim...

O seu ser,
era como seu sorriso
e o belo...
Era pouco, muito pouco...
era nada, quase muito...
Muita dor que existia...
Descobri, sim...
O que eu queria.

Eu Espero


Eu espero
que um dia...
Que eu possa
divertir...

Milhões de anjos,
em seus sonhos.

Posso ouvir,
as trombetas...
Da agonia sem sim...

Sendo longe ou aqui.

Eu quero um dia,
voar entre eles,
sem sentir,
Aquela dor,
que é morrer,
sem saber,
aonde ir.

Águas turvas,
muita chuva.

Sem sorrir...

Sem sorrir...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Enquanto Suava de Tédio

De todos os segredos,
o seu é o que eu nem quero saber.
Pois com todos os erros, e controvérsias
é impossível compreender.

Falo do que conheço,
é evidente.
E o que não sei, eu me recolho,
e escrevo.

Sem nada de romântico,
que tudo isso,
acabou,
faz cinco séculos.

Não quero ser seu sexo,
nem quero ver seu corpo afinal,
mas tudo que eu vejo...
É um prato com um copo de cerveja, no fundo do quintal.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

E.R.R.O

Não sei até quando dura,
essa dura missão.
Não sei realmente se é a cura,
para a minha visão.

Eu não percebo coisa boas,
eu meu lado jamais.
Eu não recebo as histórias,
mais belas, jamais.

Parece mesmo que existem,
apenas os "negros".
Ou então eu sou muito baixo,
para me atingirem.

Talvez eu seja assim
um pouco ou muito errado.
Talvez até os que não tem olhos,
só me olhem de lado.

Transes loucos nunca mais.
Nem as velas,nem rituais.
Nunca mais à possessão,
não importam quantos "não".

Não suporto o meu corpo,
esse rosto imbecil.
Não me sinto um garoto,
não sou nada do que diz.

Eu não sirvo para tal,
para essa obrigação.
Se não amo a mim mesmo,
como posso amá-los então?

Não vejo a hora,
de então partir...
É uma promessa que faço com todas as minhas forças...
Nunca mais irei regredir.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Dê-me sua mão

Há um vazio
aqui do lado
do lado esquerdo
do cárdico.

Esperando
para ser preenchido.
De coisas belas,
de risos.

De tudo um pouco,
de dores, nada ou muito.
De pessoas,
de mundos, de frutos.

De um amor,
que não seja de anjo,
que nem seja de santo,
ou de um menino-monstro.

Que seja coberto,
invadido por uma força,
por uma boca, por uma alma...
Com cheiro de flor.