quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Evocação


Nós procuramos o seu sorriso no rio.
O seu reflexo chorou para nós.
Foi então que vimos, o quão sombrio,
seria o mundo sem o nosso herói.


Tantas montanhas e vales e mares,
atravessamos a sua procura.
E não achamos, não encontramos...
O seu odor, não respiramos...


"Estamos reprimidos
deprimidos por um som,
uma voz aveludada,
doce água nos deixou,
um perfume entorpecente,
tresloucado doce sem sabor,
uma face reluzente,
de um menino sem amor."

Foram suas fitas
que prenderam corações.
E a sua ida, destruiu todas as canções.
Porém, que surge das ruínas do Natal,
uma cantiga, u'a divertida sombra imortal.

Sentem-se que eu contarei,
que nós contaremos,
como ocorreu,
aquela mentira, como sobrevive e mata o triste Ateu.


Allana Menáde

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Satisfação


Eu "amo" aquilo que eu quero
o que eu quero ser.
E não me arrependo
do que possa parecer.

Eu vivo como um lobo
a procura do cordeiro.
Mas encontrei no mundo,
um maldito de um coelho.

" Sobraram coisas mortas
em nosso quintal.
E enterraram velhas
no meu pantanal,
as curvas desse morro
não serão lembradas
e todas as estórias,
de que viam fadas".

Parado em frente ao espelho
eu vejo um ser perigoso.
Não ouso nem contrária-lo,
não, nem mesmo ouso.

A sua língua afiada
os seus olhos de fogo,
o seu corpinho perfurado
por milhares de pombos.

" As santas aves da paz
deixaram sua marca
mostraram para a louca
a sua condição,
fizeram dela uma sobra
um pano de chão
que todos pisam toda hora...
Mas que maldição!"

Sofreremos para sempre
nessa ciranda de terror
e quando foi plantada a semente da vida,
o maldito diabinho a desenterrou.

Allana Menáde

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Orgia


Venha para o nosso mundo,
repleto de panos imundos,
sorrisos macabros e choros,
faça parte desse coro.

Venha criança,
nos veja na dança
seu corpo suado
exala o perfume.

A libertinagem,
existe em nós,
então venha logo,
gozar nos lençóis
a festa acaba quando você quer,
e a sua cadela você irá querer ser.

Choramos,
e rimos,
de todos vocês
os seu inimigos
estão no espelho
o medo
o desejo que não se entregam
iram levá-los a loucura.

A cura para a dor,
não é o amor,
e sim a mais pura doçura...
Repleta de sangue de putas...

Patas,
urros, as velas o mundo escuro.

Sonhos,
monstros,as camas que loucas balançam.

Venha logo se entregar
para que possamos nos tocar
e você verá que Ele não existe,
é triste mais terá que superar...

Anda, agora é hora de tudo,
que o seu mundo não permitia...
Aqui você será o rei,
será aquilo que engolirá outros.

Terá o seu pequeno tesouro,
em uma noite de puro prazer...
O que espera, o que espera acontecer?
Que colham as flores e acendam velas?

Estamos aqui!

Allana Menáde

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Torre

Balançou
seu
corpo
todo
nele
morto
tudo
aquilo
animais
cheios
de
grilos
dentro
de
você
o
tiro
que
matou
o
meu
pequeno
sonho
um
medonho
ser
sem
medo
um
medonho
menino
anjo
que
deixou
ressentimentos
que
deixou
tantos
lamentos
esqueceu
o
tolo
gordo
dentro
de
um
mar
de
demônios
de
leis
loucas
de
máscaras
estranhas
deixou
ele
nas
entranhas
nas
entradas
nas
estradas
do
seu
leito.

domingo, 1 de novembro de 2009

Meus Restos Doem

Eu preciso tê-lo aqui,
dentro de mim,
sentí-lo como nunca,
numa hora de horror.

Meu coração dói.

A minha túnica está manchada,
de sangue de fadas...
De brilhos vivos,
mas não os sinto.

Meu coração se foi.

Nós poderíamos,
destruir o reino santo do ignorantes.
Você não me olhou,
virou o rosto para o céu e foi-se.

Da minha boca pinga fel.

Rezei para todos os deuses,
santos, deidades,titãs,espíritos,
elementais,damas e tantos outros...
Mas você se foi.

Da minhas mãos cai o dom...Para sempre.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tela


Pinto o meu quarto
com tinta de alegria.
Apenas para ver o seu sorriso...
Apenas para ter em mim, a tal falada.

Eu quero apenas ser,
algo percebido.
Não pelos maus atos cometidos,
ou pela bocas sujas corrompidas.

Queria pintar meu quarto
com tinta de Amor.
Mas ainda não encontrei,
a cor.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ao Longe


A sua estrela brilhou muito longe,
e vi como era tão bela e pequena.
Mandei enviar-te uma mensagem serena,
e a resposta veio como uma chuva de ódio.

Parece que te fiz beber o ópio,
de um choque estranho, sem o fundamento.
Aquelas conversas cobertas de tempo,
aqueles seus olhos molhados de dor.

Você não entendeu o sentido do beijo,
-Não aquele onde carnes se entrelaçam-
queria um beijo coberto de graça...
Você me atirou um olhar de lamento.

O abraço seria o melhor presente,
o mais belo beijo, melhor que um beijo secreto...
Pois além de carnes que se entrelaçam,
eu quero um amigo, um amor, uma estrela que brilha,Perto!