segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Animalia


Um dia um estranho me disse
que de nada eu era,
e que nada eu continuaria a ser,
que minha pele escura
desbotaria e mancharia
de tinta negra, o seu mar.

Um dia alguém me disse
em tom de deboche
que eu parecia piche
que meus cabelos eram cobre
e o que o meu corpo cobria
era pobre.

Um dia um cretino me disse,
para entrar em sua casa
invadir seus aposentos
e me entregar em um ritual
nojento.

Um dia alguém me disse: "Espera!".
Então esperei sangrento.
E vieram, projéteis e quimeras,
feridas e pedras,
invernos, pesadelos e primaveras...

Um dia alguém me disse
que de nada eu era.

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