
Engulo tudo sem reclamar nenhum pouco, engulo um porco, uma aranha, uma cretina,uma madame fina, um imundo sem rumo, um mundo!
Engulo a água barrenta, salgada e podre que brota da minha porta (que não é minha).
Não tenho casa,não tenho sorte, não tenho nada além de mim.
Não vejo nada, além dos outros, e o meu corpo vai-se decompondo.Os meus calos aumentam,meus tumores doem, tudo em mim arde muito.
Muito fogo me consome as noites.
Sem vento, sem vento, que droga!
Engulo areia, fezes de vacas...Eu sofro o dobro, o sofrimento do outro...Do outro lado!
Eu falo, em silêncio, sim,em silêncio apenas que falo.
Apenas para mim.
Engulo coisas, que descem e querem voltar...
Engulo pelos ouvidos, pelos olhos, pelas mãos, pelo nariz eu engulo.
Não mastigo nada, apenas corro.
Bem para longe de todos que me odeiam,
que me rodeiam.
Bem para longe de tudo que não acredito,
que acredita em mim.
Bem para longe de quem eu sinto nojo,
e que fingem que não sentem também.
Engulo vidro, engulo velas,
engulo telas, engulo tinta,
engulo pedras,poeira, fitas.
Músicas velhas,fotografias
engulo brigas, sujas roupas molhadas.
Engulo a fome, a morte...
Engulo o choro.
Tolo.
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