quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Até tarde

Vazio,sinto-me assim como um brinquedo velho
usado, como que se alguém tivesse arrancado o que espero
calado, e as palavras levam o descontentamento
para um fim trágico de desespero.

A mão amiga prende na fenda da mentira
e a pior sina é aquela que eu vejo
o mundo se comporta como um cego,
e mesmo eu teimando em não acreditar, eu vejo.

Procuro por aquilo que não quero encontrar,
e então encontro.
No mais tímido encontro, meu corpo treme,
os olhos fecham, o coração acelera...meu corpo pára.

Nada do que for verdade irá restar,
o que foi belo, alegre, nada disso
são como faíscas em um vendaval
nada mais espero disto...

E mesmo assim,
mesmo tendo acabado.

Eu ainda me desespero.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Oni

Do drama contido na garganta muda
eu ouço um gemido, de uma devassa louca
eu percorro os dedos no seu corpo gordo
e nos seus cabelos, eu quase morro.

Para longe de mim há uma casa velha,
toda em pedaços - são os sentimentos-
sua base está podre, suas paredes desmoronam,
e o seu teto, este pende.

Sorrir ou chorar, minha vida disso não depende,
são as lembranças que não querem calar, me prendem.
O sol avermelhado, ilumina os caminhos que já percorri,
e o inferno divertido que tanto falaram, de lá, saí.

Do sonho que prende,
da face que se contorce
do coração que sofre...
Do drama contido na garganta muda...

Ele, apenas morre.

sábado, 10 de novembro de 2012

No descanço

Os caminhos que percorro,
não são passageiros
são como pinturas emolduradas,
estas com tinta de sangue e a dedo.

Este caminhos que se tornam tão infelizes
que me arrancam tantas forças
que me tornam tão descrente
que me fazem querer ir-me embora.

As paisagens nunca mudam,
são sempre as de desespero e desgosto
de mentira e raiva
de ódio, de mais ódio, de um corpo sem vida, morto.

Então como que gravuras perturbadoras
elas me aparecem a noite
e revivo a cada segundo as dores
de ter sido objeto do prazer alheio.

O medo de querer viver
é maior do que a coragem de querer morrer.

No tempo certo

Agora que eu acho tudo divertido
posso correr por ai sem ser parado
sem ser abordado
sem ser notado.

Agora que tudo não faz mais sentido
posso dizer quanto tempo eu fiquei calado
posso dizer os motivos que me trouxeram até aqui
sem ser notado.

Anotaram o meu nome em uma agenda velha
talvez, crendo que eu fosse aparecer para a festa
mas para quê? se aqui tudo eu posso,
se aqui não há dor, estou liberto
sem ser notado.

Passeio entre os grandes e pequenos
entres crentes e descrentes
entre pessoas e monstros
entre aqueles que mais mentem.

Entre os infiéis e hipócritas
entre as vadias e as puras
entre a verdade e a loucura,
estas uma coisa só.

Desafio

O desafio aceito,
e o preconceito varrido para longe,
de monge torna-se-á um assassino,
perfeito!

Dizem que o seu rosto é belo,
sua cor sedutora,
os seus lábios doces...
Mentem com maestria.

E será resfriada em uma pia velha,
a lâmina das futuras feridas.
Os golpes que ceifarão as vidas...
De quem? Não importa.

Homens e Mulheres tolos,
que não consertam os seus próprios erros
que ferem meus olhos com o seu perverso desapego...
Que desapareçam junto comigo.

No colo do único amigo, eu confessarei minhas faltas...
Até que me falte ar,
até a última falta.

Cova

Há uma flecha no seu coração e você se queixa.
Queixa-se de não poder retirá-la
de não poder ser curar,
então deixa.

Deixa que a ventania se transforme em tempestade
que a calmaria em uma doentia vontade
e que sua cama fria,
seja a sua última vontade.

Você deixa pois ninguém olha por onde andas
Ninguém se importa se é na lama
ninguém sentirá falta de sua alma...
Em lugar algum.

Suas lágrimas serão perdidas
secas, ressecadas, ressentidas.
Mas você não estará lá para ver o desespero alheio,
pois não haverá desespero.

Espere, por mais uma doce sinfonia...
Mais uma lua mistériosa,
mais um dia de sol insuportável...
Até descançar na sua cova.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Cìclico

Medo? Não, é apenas uma sensação estranha de ânsia.
No berço florido dorme a criança surda,
seus olhos são de uma incrível brancura
têm o som de uma brisa dançante.

O tempo? Sim, este não é o aliado
de um romance que começou tímido
e que agora...
agora parece estar em pedaços.

A areia amarelada suja os meus pés
a chuva cai fria no meu corpo
e aquele sorriso me espera
ansioso.

Percebo uma voz a dizer:
"Não brincarei com o seu coração, não estou brincando."
Acredito eu mais uma vez
e então me arranho.

Arranho a parede imaculada da esperança
o que me resta é apenas uma compulsão
como que fios estivessem amarrados aos meus sentidos...
Os fios do controle, que controla todos.

Percebo uma voz a dizer:
"Veja! Eu te amo."
E mais uma vez me engano...
E mais uma vez me engano.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Manticore


Ele está ao meu redor
como um Leão Vermelho
furioso querendo me devorar
sem me deixar nem o osso.

Mas ele não pode se aproximar da minha pele
ele não pode lamber minhas feridas
só pode ele sentir o meu cheiro
e ver a minha face de medo.

Enquanto isso em orações silenciosas me escondo
Enquando isso em corações bondosos me agarro
Mas Ele, o Leão Vermelho, joga da sua boca
aquela fumaça perturbadora do seu cigarro.

O Leão Vermelho fala-me que nada disso é verdade
que esse amor é uma criação de sua maldade
que as lágrimas voltaram a cair
que na verdade ninguém se importa se eu partir...

Seu olhos são como chamas intensas
ele escreveu com suas garras no chão das ruinas minha sentença;
Ele sorri de mim, ele desdenha do que tenho, ele cospe no chão com nojo,
ele canta músicas de assombro, ele apenas aguarda que eu me entregue...

O Leão Vermelho sabe de todas as minhas decepções
de todos os meus sonhos, de tudo o que perdi
do quanto eu sofri, dos erros que cometi...
Ele sabe de todas essas coisas.

O que posso eu fazer contra o Leão, esta fera faminta?
Ele diz " Você resiste e me irrita", e eu continuo caminhando...
O Leão continua me seguindo...
Arrasto-me, arranho-me, caio, tropeço, levanto-me...

E o motivo para o Leão ainda não ter-me devorado,
é que mesmo eu sem saber, ou sem querer, há ao meu lado
um ser bendito, um ser bondoso, sem maldade ou remorso...
Ele diz seu nome, então eu ouço que enquanto eu tiver fé...

O Leão Vermelho continuará faminto,
pois tenho comigo
o Espírito sem Cor
um querido amigo, que fora amigo de Kordy Guber...

O Espirito de Lofaron.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

De joelhos, Ajoelhado

Quando a máscara da mentira cai
o mundo se atira ao meus pés
eu vejo o passado como uma tela viva
de línguas bifurcadas -falsas!- dizeres cruéis.

Posso passar por toda a sua vida,
e não deixar uma marca sequer,
mas lembre-se que a dor das feridas,
da oportunidade perdida, não mudará o que é...

Sinto a dor da vergonha
dos indicadores que acusam
das lembranças que lambusam
meus olhos de pena...

É a frustração da derrota pela humildade,
que fez do orgulho, esse portador da maldade
largar o coração ferido de um animal querido...
"Foi agora, e como disses, não é tarde..."

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Concedo-vos

Os caminhos, todos eles
podem ser, talvez, diferentes
se de uma vez por todas o passado for esquecido
e o coração frio se tornar quente.

As alvas penas de lembranças infantis
podem ser limpas, lavadas, renovadas e renascidas.
Tudo aquilo que ficou de tristeza ou remorso, corroída vida,
poderá ser deixado no seu devido lugar, na partida.

Os seres míticos que caminharam ao seu lado
os seus minúsculos toques e festanças
eram o bastante para por um sorriso doce
na sua face pueril de criança.

Então o que aguarda?
Esperamos a cada hora a cada minuto
que você apenas permita
e que não deixe de acreditar...

Que o amor existe
e é ele que nos dá a vida.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Até um dia

O mundo se converte em trevas
quandos meus olhos não estão com os seus
e parece até uma eternidade
quando eu digo adeus...

Algo que não sei explicar
você marcou em mim
de tanta paixão
ficou só o ódio.

E onde está o meu anjo de olhos negros
para me protejer deste demônio infeliz?
Ele apenas quer ver o meu corpo banhando no rio de sangue
e que continue a banhar por toda uma era.

Não é um sonho comum, uma quimera,
é uma profusão de medos e de maldades,
são pequenas feridas que foram abertas
e que agora exalam aquela vontade...

Aquela vontade...
de continuar a ser ninguém.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Vingarei

Eu quero a vingança
daqueles que me tiraram a ansia de viver
todos eram amigos
hoje em ninguém posso confiar.

Faces cínicas como que putas
e eu vou-me tornando a única
a única pessoa capaz de derrotá-los
e serei.

Não me importa se forem reis
ou cavaleiros
eu entro em cada casa
e eu uso a minha faca.

Cortarei gargantas
mancharei paredes
beijarei seus rostos
e enquanto agonizam
vou bebendo meu vinho
para representar o sangue
daqueles lábios vermelhos
que mentiram para mim um dia...

E sua morte não será o descanço
só será o começo
da minha vingança.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

No Lago

É salgada, como lágrimas
sim são elas
a água deste lago
nunca foi doce, é salgada...

Agora se torna amarga,
sim, como o fel da traição,
ela nunca foi tão gostosa
quanto o mel...

E de uma hora para a outro
tem um odor de podre,
onde estão as rosas que dormiam em seu espelho?
Nunca foi tão perfumada quanto meu jardim.

E tudo torna-se-á como um espiral
a água sobe aos céus
que nunca foram azuis
sempre negros, sempre escuros
sobem aos céus e caem como chuva
nunca fria, sempre quente, incômoda
e então um raio eis que surge,
não é a luz, é como que feito de maldade
para apenas esconder que na verdade...

Este lago de águas salgadas,
podres e amargas...não pertence a mim...a ninguém.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Airgelainoga

Não tenho motivos
e então de repente
eles, como mortos vivos
se levantam do passado.

Eles arranham o meu rosto
e eu choro
por não poder me defender
ou não querer, eu choro...

O motivo entra pela minha boca
e deixa meus sentidos confusos
o motivo vem e vomita
a alegria, pouca, que eu consumi.

Ela então, a alegria, se debate no chão
ensanguentada, desesperada, olha para mim.
E seu olhar aflito, nos olhos multicoloridos
sua boca solta um gemido...

" Deixe-me ficar no seu corpo
como um tumor benigno
não deixe este motivo infame
matar o meu germe latente..."

E então ela morre,
no chão escorregadio
e os motivos, todos eles frios,
se apossam do meu corpo, ainda quente e macio.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

c[O]ração?

Suavize os meus lábios
para que da minha boca
nunca mais saia um ai desgraçado
e nem uma voz rouca.

Deslize sobre o meu corpo
o perfume das flores virgens
para que eu não me entregue ao que é errado
ou o que não existe.

Toque os meus cabelos e diga que tudo ficará bem
que eu posso um dia ser alguém
que a tristeza irá passar
e que a ira não me usará.

Fixe os seus olhos nos meus
e me mostre um outro mundo
onde nunca é noite e frio
onde nunca venta e arrepia.

Segure na minha mão e
tire-me logo deste lugar
eu já cansei de aqui estar
só aos prantos.

Mas se não puder fazer isso
deixe-me o seu canto
para que ele ressoe para sempre
na minha cova profunda de ilusões...me acalentando.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Flocos de dor

Lágrimas ficam presas aos olhos
que assustados não se contentam com a imagem
eles se espelham na inveja
e na ira se afogam.

Lágrimas, agora escorrem pela boca
"Satanás diria saborosas",
tem sabor de sangue
e rosas.

Queimam o meu rosto como brasa
e meu coração se debate
minha mente se debate
e o inferno se abre...

Entro em um turbilhão
e os sentimentos se tornam vãos
por que eu não me sinto liberto?
Será que é isto mesmo que quero?

O corpo treme de frio
e o peito palpita o ódio
que eu deveria ter matado o demônio
antes dele ter me matado.

Agora o medo me prende...
E eu me jogo nos seus braços
e eu me entrego aos seus abraços...inerte.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Flama

Queimo meus sonhos
em uma lápide de gelo
em um lugar, nos seus
cabelos eu me derrubo.

Queimo em febre
e borbulhando o coração
me atenho
nada mais tenho é verdade
temo mais uma triste ilusão.

Queimo minhas lágrimas
nesta fogueira de ossos
e desamarro meus laços
dos seus olhos

Meu fracasso.

Queimo meus olhos
nas brasas desta festa
nas lembranças alegres da infância
quando eu queria viver
na esperança, na dança
eu quero queimar na festa.

Só me resta uma cicatriz na mão
e um sinal cruel na testa,

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Revoltada


Ouça a natureza branca,
chamar seu nome, seu nome amor.
E suas cores, suas flores santas,
colorir um mundo de dor.

Até quando você me vê,
na árvore, presas aos galhos.
E o meu sorriso e minhas preces,
eternamente empalhadas.

Nada do que você ouviu,
foi verdade.
O vento levou a maldade,
deixou o sentido amarrado.

O que chegou a você foi um lado,
lado que não admito,
não admito ser contrariada,
como uma libertina...

Dentro da caixa vermelha,
eu guardo todas as vozes,
todas as palavras,
que todas as vezes, vomitaste.

Allana Menáde

Orgia


Venha para o nosso mundo,
repleto de panos imundos,
sorrisos macabros e choros,
faça parte desse coro.

Venha criança,
nos veja na dança
seu corpo suado
exala o perfume.

A libertinagem,
existe em nós,
então venha logo,
gozar nos lençóis
a festa acaba quando você quer,
e a sua cadela você irá querer ser.

Choramos,
e rimos,
de todos vocês
os seu inimigos
estão no espelho
o medo
o desejo que não se entregam
iram levá-los a loucura.

A cura para a dor,
não é o amor,
e sim a mais pura doçura...
Repleta de sangue de putas...

Patas,
urros, as velas o mundo escuro.

Sonhos,
monstros,as camas que loucas balançam.

Venha logo se entregar
para que possamos nos tocar
e você verá que Ele não existe,
é triste mais terá que superar...

Anda, agora é hora de tudo,
que o seu mundo não permitia...
Aqui você será o rei,
será aquilo que engolirá outros.

Terá o seu pequeno tesouro,
em uma noite de puro prazer...
O que espera, o que espera acontecer?
Que colham as flores e acendam velas?

Estamos aqui!

Allana Menáde

Elephantazia!


Eu estou daqui de cima olhando os que passam, claro, abaixo.
E não entendo o modo como conseguem ver o mundo, correndo de lado.
Sou mais esperta que uma ninfa que tosse se engasgando,
eu sou pequena e fingida, Soprano.
Canto as mesmas melodias estranhas, desde os já passados anos.
Choro das mesmas estórias sem graça que me contam,
vislumbro os mesmos funérais de crianças que sonham, corro através dos mesmos portais, caio nos mesmo buracos.
Entendo cada palavra da boca do sapo,do vagalume, da mariposa, do morcego, entendo até os ruídos irritantes de ratos,só não consigo entender quem me procura de fato.
Sou uma louca desvairada sem rumo
que vivo de viver a vida alheia
que vivo de colar leite de Jáca no cabelo das sereias,
só por ser assim...
Por não ter em mim...
O que procuro...

Allana Menáde

Madame


Livre estou para molhar meus cantos
e regar minhas rosas com prantos.
Livre sou para construir encantos
e desmascarar as tristezas do meu conto.

Nessa minha infita prece
temo que nem ao céus
o meu desejo alcance
como se não fosse o bastante
ter que viver carregando um corpo estranho.Onde?

Longe, amor, querido amigo, longe.
Em um lugar onde você nem imagina,
isso se torna então a sua simples sina:
Ter que comer a carne do Elefante.

Só em seus sonhos, como uma prostituta
desejando o corpo de um pequeno homem
e se deliciando com seus cabelos enrrolados
com seu corpo suado, em contato com seus seios grandes.

Pára amor, que minhas palavras são educadas
eu não costumo utlizar o sexo como fonte
de uma inspiração cruel e barata
para ter na minha frente um texto asfixiante.

Allana Menáde

O Mundo: Reino.


Sinto chegar de longe,
um lugar onde tudo será complicado,
onde o certo às vezes se torna errado,
onde o servo não passa de um senhor frustrado.

Eu sinto e vem tão intensamente,
que posso sentir os odores:
Dos campos de flores gigantes brancas,
e do gelo que sobe pelos pescoços longos.

Ouço até os pandeiros, pandeirolas,
e o barulho das fitas cortando o vento
e as pegadas no chão hora seco hora lamacento,
e os gritos de alegria, dor, festança.

Vem, como o reflexo de uma vida de esperanças
vem como um pedido, um desejo incontrolável
está vindo logo, já, é fato
e eu espero que seja realmente mágico.

Onde Eu estarei dentro de cada corpo,
onde cada alma estará dentro de mim,
e os seres que não carregam uma pele quente,
mostram a verdade por trás de máscaras de cobre.

Eu vou desbravar junto com um menino pobre,
que acredita mesmo em um amor eterno
e descobrirá que será seu inferno a paixão doente
e inexplicável.

Vem...Que está vindo logo,e eu espero que seja realmente mágico.

Do sabor paralítico


Achas mesmo que o que vês é a verdade?
Como se novamente não pudesse acontecer
e, esquecendo a verdadeira loucura da maldade
você insiste em querer sofrer!

Tento avisá-lo que o caminho é podre
com as mesmas pedras e espinhos vís
mas você nunca ouve seus febris,ais,
que outrora fostes!

Pensas mesmo que o olhar não é um furto
que a mão macia não é mera ilusão
e que a taquicardia do seu coração
não passa mesmo de um outro golpe

Como um daqueles que roubou tua sorte
no vigésimo oitavo dia de dezembro
e você lá, como um mendigo
a esperar pelas notícias...morte!

Foi então por isso que o tornei tão forte
foi para isto que queria privá-lo
não se preocupe se poderá amá-lo
o que importa e se manter mais vivo

Será para nós todos o melhor alívio
pois não queremos mais sofrer em vão
roer os ossos por uma ilusão
que é criada no seu ego intímo...

Eu tento ser o seu irmão legítimo
tento curar suas feridas sujas
e mesmo assim você, sempre lambuza
a boca com palavras de blasfêmia...

Pareces esconder no corpo uma fêmea
enferma e solitária como a peste
que ressucita sempre que merece
um sonho cheio de insetos e odores...

Espero mesmo que os seus amores
que este não mais seja o pecado
e que não ponha coroa e nem atributos de alado
em um outro ser humano sem pudores...

Não mais precisa viver nessa fossa
que te provoca os mais infernais pasadelos...
E mesmo se quebrares o espelho,
o meu reflexo estará em seus olhos...

Pois não desisto de ser ilusório
como você, não quer ouvir minha prece
e mesmo que do céu o seu amor me desse
não furtaria de você mais um segundo...

E sempre que precisar de mim estarei lá,
naquele mundo,
nas fitas, folhas e no coração celeste...

Solitude

Que será a solidão
pois não sei onde ela mora
se é onde ou aonde
se é ontem, hoje ou agora.

Se no final ela ainda aguarda
se algo nela guarda
se por mim ela não estaria cansada
de esperar, esperarando...

Que será isto
se é que isto algo é
temo visões de um ser mítico
e meu corpo místico começa a desaparecer...

"Desfaleço sobre esta taça de vinho amargo
em me embriago com as desconexões de vênus
meu corpo marciano não suporta
suas paixões e suas dores..."

Que será isto
a solidão...
não é um vazio
pois ainda algo sinto
pois sinto como se estivesse em perigo
por não poder amar
por não poder chorar
nem mesmo se emocionar
pela imagem no espelho velho
nem sorrir
nem ferir
nem
ir...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Brotrar do Fruto

Vinte e um caixões sendo enterrados
e o sorriso de glória dos coveiros
e o vento frio nos cabelos
e o tempo sem nuvens parado.

São os anos em que me afundei calado
são as horas em que me perdi perplexo
são as obras sem reflexo
de um anjo mudo, fadado.

Foram nove mil quilos de diamantes
como lágrimas petrificadas
foi o preço que eu paguei
foi a dor que eu suportei, sem nada.

Duas flores murchas,
duas rosas vermelhas como antes
que agora doentias e sem semblantes
pendem do galho com seus espinhos podres...

Não chorarei mais por elas
se foram, estão sem perfume, sem cor...sem brilho...
Não valem e nem valerão a pena
que eu chore mais nove mil quilos de diamantes.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Plus Ego Plus

Só por eu ser assim
um ser apaixonado por mim
que consegue observar o interior
sem rir...

Só por eu ser assim,
um adorador da própria imagem
não deixando que a hipocrisia me derrube
nada, que esteja fora me abate.

Por ter percebido, um pouco tarde,
é verdade, o verdadeiro poder interno
o verdadeiro prazer que nos manda ao inferno
só por isso, sou eu menos digno?

Quantos deuses não contemplam sua imagem,
quantos não queriam me ter em seu panteão,
mas não, para ser corretamente acostumado
simplesmente se nega aquilo que não podem.

Mas ficarei a compreender a minha mensagem
a desfrutar da minha imagem
para não ser mais tolo
e não me perder em um mundo, no simples todo.

Se o meu brilho e a minha glória fazem doer olhos obscuros
que pena!Temo que o futuro dos adoradores das trevas
não seja nada além de um buraco fundo, frio, escuro...
e o pior de tudo, prematuro...

Contemplarei a minha imagem no espelho,
por que no meu mundo
dominado por Damas e Guerreiros...
Eu sou o Deus Supremo.

domingo, 20 de maio de 2012

Eu desejo vingança

Sua realidade imunda
que não me diz respeito até então
que de uma prostituta perversa
sai um borboleta serena, ainda como embrião.

Eu sei de todas as fases da lua,
eu sei de cada maldade sua
e como seu amante descarado
viu-te, sebosa, nua.

A sua cova já foi aberta
para sepultar tantas descobertas
e para enterrar as lágrimas de mães perdidas
para por um fim em uma criatura cretina.

Sua sina, era a de carregar no corpo esta fêmea
que terá, seu fim, como que efêmera
de não poder subir ao trono na vitória
nem  poder provar o sabor da glória.

Eu, que deveria ser a herdeira deste trono
eu que deveria ser a filha deste mundo
mas com a inveja de um e de outro, e de Pentuso
O fogo foi o alimento do meu reino.

Quero ver-te maldita menina
sofrer aquilo que merece
e aqui em Lofaron seu nome jamais será lembrado,
nem mesmo, eu juro, nem mesmo como o nome da peste.

A rainha frustrada de Lofaron

sábado, 19 de maio de 2012

Prostra-se ao teu deus

O pobre coitado cai na mesma armadilha de sempre
não consegue suportar por muito tempo o sentimento
a felicidade parece não querer ficar próximo à ele,
mas não é por falta de aviso ou qualquer coisa.

Ele consegue se apegar ao obscuro como algo pegajoso
ele sente uma atração por aquilo que magoa
por aquilo que machuca
e no final apenas sofre.

Ele é uma criança perdida em uma ciranda de lobos...
Uma alma perdida caminhando na procissão sem sua vela para iluminar...
Uma flor sendo comida pela lagarta faminta do desespero
É sim, ele, por inteiro, o herdeiro do que é morto.

A morte o persegue sem cessar,
lado a lado como se não fosse parar
e ela não pára de falar ao seu ouvido
contando seus segredos tímidos, convidando-o para, eternamente, dormir.

E ele, com sua alma demente
com seus coração descrente
com sua fé em pedaços
e os seus braços sem força
ele não resiste, e por um momento desisti
de ressurgir do chão gelado do inferno
da chuva fina do inverno
das cinzas ardentes da fogueira
e do amor, que de tanto amar, de tanto se deixar levar...

O amor, descaracterizado, falsificado,
destronado,irreconhecível, sujo, imperceptível
esse amor corrupto, sujo e invejoso
que causa dor e remorso
que causa desamor e ódio
que causa raiva e desapego...
O amor vai devorando seu coração, pobre coitado, a cada momento por inteiro.

Pentuso, o Pneumago.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Do Incêndio à Fantasia

Vou brincar com você de ser menino
como um peregrino sem sentido
e brilhando como um rubi.
Eu vou brincar com você
e junto do seu corpo eu vou me vê
pois seremos reflexos.
Nada de chorar por quem não existe
por quem só desiste
por quem é fraco
por quem é um desastre
e sim sorrir
destas pobres almas
que não se contentando com a sua tristeza própria
a dos outros provoca.
Não se importa menino eu pois como uma porca
conheci muitos donos assim
que depois que o meu leite seca
eles me entregam
e me jogam longe de suas portas.
Suba em minhas costas
e deixe-me levá-lo a um lugar incomum
onde seus pensamentos comuns nascem
e lá, mataremos, com aquela foice
a mulher cretina que escreve a sua história
cortaremos daquela árvore
o fruto podre
e então flores
vai poder abrir
e atrair
não milhares, mas milhões das fadas dos verdadeiros amores.

Marta, a Dama

terça-feira, 15 de maio de 2012

Para o pó

Como se nada tivesse ocorrido
você comigo troca palavras
para você talvez sem sentido algum
por simples pena, ou por nada.
Enquanto eu me mantenho trêmulo
quando meus olhos estão cheio de lágrimas
quando o meu coração está acelerado
e meus dedos, das mãos e dos pés gelados.
O frio vem penetrando minha alma
que de tão impura e covarde
se esconde por tras de um corpo falho
de um filho imperfeito
de um amigo esquisito
de um amor...de um amor ridículo
de um final infeliz
como se eu não fosse nenhum menino
como se eu não fosse nehum humano
como se ninguém eu fosse...
Pois lá no fundo eu sei...
que não sou ninguém...
que não sou nada...
e para o nada retornarei...sem você.

Canibal

Caminhos tortos e que se torturam
mortos, que não se curam
fotos que não se apagam
memórias que apenas nos separa
a cara de nojo e desprezo
sem o zelo de um animal frágil
vai cortando-lhe os cabelos
e então seu corpo torna-se alvo
torna-se o alvo de milhares de insetos
dos milhares de sentimentos incorretos
de incoerências macabras e sujas
de mulheres nuas e loucas
de ver no brilho da lua aquela boca
e de agora odiar o passado
e o seu presente em um futuro escuro
será o seu presente um buraco fundo
onde uma areia barrenta
cobrirá a caixa ordinária,barata, banal, escarnecida...
E que será esquecida.
Trilha um coração esburacado por vermes
magoado por eles
e ferido por aqueles que querem apoderar-te
e o seu corpo,
como  que um troféu em honra a Marte
celebrará a guerra
que culminará com o término, e o desespero
para que jamais se cumpram novamente as profecias
para que jamais tapem a luz do dia
com uma lente escura
com o assombro e a loucura
que jamais...você encontre a alegria.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Súplica ao Rei

Que tal brincarmos de um jogo?
O jogo no qual a sua vida é a aposta.
E se mesmo assim, como você diz que não se gosta
há quem aposte sim na sua pobre alma.

Eu sou um deles, eu sou um daqueles que te querem
que precisam de você para existir
e então se por acaso você partir,
onde estarei, minha vida também cessa.

Eu necessito da sua pouca fé,
mas é esta que ainda resta
eu preciso do seu coração,
que agora está cheio de arestas.

Sinta minha mão no seu ombro
tento te acalentar deste desespero
tento não te deixar jogar-se ao mundo inteiro
pois ninguém lembrará, senão nós de você mesmo.

Se você aceitar o jogo
eu apostarei todo o meu ouro, minhas jóias e a minha alma em você...
Derrubarei até o templo que construi aos meus deuses
e no lugar dele porei uma estátua sua, segurando a boca do leão que quer te devorar...

A força da minha fé é grande...e eu já apostei tudo o que tinha
pois nada do que eu tenho se compara com a minha vida...
E a minha vida...depende apenas de você!
Não permita que eu morra e desapareça para sempre...tente, pelo menos tente.

Romero Dies

Desafino

A naturalidade das suas notas
é como a neutralidade do seu amor
que de falso se tornou idiota
por dizer aos ventos que tanto, mais tanto, um outro amou.

Suas cordas se tornaram tortas
e a sua melodia agora é melancólica
como uma malígna e intensa cólera
você não consegue se desprender.

Um amor passado que não era seu
que não fora deixado para você
que jamais o pertenceu
pois você ainda não tem o poder de mandar e desmandar,
de querer e poder, de ter.

A harpa chora um som tão tímido
ela geme como uma criança em meio a guerra
ela tenta alegrar o seu coração, fazer-te a festa
mas não há harmonia, pois tudo você detesta.

A sí detesta, a mim detesta e outrem também...
Começou a detestar depois que começou a amar alguém?
Não queres a vida recomeçar, e apagar todo o passado da memória?
Não querer cortar as cordas de tua Harpa e construir com os teus dedos delicados...uma nova?

domingo, 13 de maio de 2012

Consumado

Um castelo de areia como eu
que não descança neste inferno
e como se nada fosse capaz de ajudá-lo
pois a água está bem perto,
e todo o seu reino desaparecerá
com a primeira onda
ou com os primeiros pés descuidados
que pisarem sobre ele.
O mundo não lembrará mais do castelo
que formado de pequenas partículas
construi algo que não deveria
e agora que foi abandonado ai em cima
tem que suportar a sina
tem que não a mar a melodia
e não se manifestrar contra a melancolia
tem que suportar o peso
tem que sentir o ventir corroê-lo
pois o castelo foi deixda na areia
por uma criança levada
que queria apenas brincar e então saciada
foi-se embora para longe do mar
e o deixou perto da praia
e a onda intensa e sem falhas
derruba o corpo tão frágil
um reino tão cheio de falhas
com milhões de folhas e segredos
que apenas a marca escurecida na areia
irá logo registrar
mas no outro dia, quando o sol penetrar no seu corpo
o resto do castelo morte
lá não estará.

sábado, 12 de maio de 2012

Pietá

Euforia, a dor está se manifestando
euforia, do ego deprimido
que espremido entre os orgãos podres
se mostra quase tímido
mas não o é, é um vilão, um bandido
que um assassino ou dois, plantaram em mim
e minha alma pesa por não poder expurgar
do corpo, sem nenhuma lágrima expelir
sem nenhum sorriso sorrir
simplesmente frio e cortante
simplesmente sexual e nojento
simplesmente aquilo que eu jamais quis
corpos se esfregando como cobras
se aproveitando como parasitas
se desejando como sodomitas
de uma terra onde não existe amor
de uma terra onde há apenas dor
de uma terra onde há reis que governam com malícia
e a delícia, está em seus lábios
pois podem com suas lábias,
traçar o exato local da minha morte
o tamanho da lâmina do meu corte
a árvore onde haverá uma corda forte...
A euforia grita aqui dentro,não é alegria
é uma loucura desenfreada,
é uma borboleta querendo se libertar de uma casulo de dor,
mas está presa e congelada,
assim como o último sorriso impresso em um papel velho
assim como, estará nos meus olhos vidrados e sem vida,
a derradeira e mais dolorosa
lágrima.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Macula Macula

O mundo desaba
meus pés sangram
por ter andado por caminhos cortantes
minhas mãos são geladas
meus olhos são vidrados
por ter tocado corpos corruptos
por ter visto cenas de crueldade
meus ouvidos sangram
minha boca amarga e dela escorre um liquido
e eu espirro, demais espirro...
Pois eu ouvi as mais belas palavras
que eram mentiras.
Pois eu beijei uma boca peçonhenta
e o veneno me intimida,
Por ter sentido o perfume da maldade
e o meu corpo não mais aceita.
Meu corpo é como um todo
como um todo flagelado
com erupções de rancor por cada poro
pelas decepções
e pelas emoções tristes que foram sendo guardadas
e grudadas perto do peito
elas então se manifestaram
meus cabelos caem
minha vaidade se vai
a minha força começa a dar sinais de fraqueza
me comporto sem nem perceber
não tenho mais autonomia
minhas emoções são controladas
são substâncias amargas e água
e o os meus pés sangram
pois andei por caminhos cortantes
beijei uma boca peçonhenta...
E apenas aguardo que esta peçonha
de uma vez só...o mais rápido possível...
Me mate. Pois estou cego

sábado, 5 de maio de 2012

Longe do Amor das Hadas

"Vou fugir para um lugar qualquer
provar de um fruto qualquer
cantar uma música qualquer
e me entregar ao corpo de uma mulher, qualquer."

A energia simples e tola
que percorre o corpo da rapariga
que não se intimida
com o orgão molhado do homem.

Os corpos se entrelaçando
como que serpentes frias
e gemidos como os da Harpia
como porcos sem um destino na lama.

Corpos simples que se envolvem
corpos loucos que se querem
que se devoram e não esperam.

Eu sorrio, eu observo como uma noiva abandonada
cada orgasmo é como uma flor calada
é como meu vestido rasgado
é como meu corpo corrompido, pelo seu pecado.

Venha e fuja para o meu lar
prove do fruto da dor
cante meu encantamento de amor
e sinta o meu corpo de mulher, menino.

Allana Menáde

Alegria Latente

Há algo dentro de mim
que tenta manifestar uma alegria
algo que como feliz
uma semente espremida em um coração podre.

Mas ela não tem espaço
não há o ar necessário
para que a semente germine
pois ela precisa de liberdade, e em mim não existe.

Mas ela continua aqui dentro
latente.
Esperando uma oportunidade de se abrir
com a luz de um oportunidade boa.

Mas mesmo assim,
mas mesmo assim,
ela luta contra o coração podre
contra a terra infértil.

Uma semente de alegria
plantada no meu coração,
não sei por quem
não sei por que...

Só sei que ela está aqui dentro
presa,incômoda, dormindo, cataléptica, criogênica,parada
esperando que pelo menos um raio de esperança
a acorde...
e que suas raízes penetrem meu corpo...
que transforme ele de morto,
em um ser vivo...
Renovado, novo.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A serpente Lyenra

Passeia entre os meus dedos
com a sua maldade infinita
com a sua inveja, ela grita,
um grito agudo de desespero.

Não espero! E esta será a minha ida
quando a maldita atacar-me com malícia
querendo devorar-me por inteiro
criatura viva.

Os sóis giram em torno de um sonho
um complexos de palavras infinitas
e quando levo minhas mãos aos olhos
percebo então feridas.

Meus pés começam a parar
minhas pernas não mais se movem
e sinto um dor enorme
como que se nunca fosse acabar.

Estou envenenado, virus , peçonha e morte
e do lado aquele ser sem sorte
me olha como se humano fôsse
me olha como se me conhecesse.

A maldita de cor clara me espreita
e debaixo da minha cama fez seu ninho
aguardando para que como eu, um negro passarinho,
me retire e seja servido na sua seita.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sofrer Calado

Sinto os meus pés frios
as pontas dos meus dedos também
não sei bem por que, mas sei que me falta algo
um íntimo querer bem.

Me sinto não só frio.
mas gelado
congelando,
sozinho.

Meus pés perdem a força
em minha mente uma palavra diz "forca"
no peito a dor tremula solta
e eu continuo gelado, frio, congelando.

No meu caminho,
um "asylum" manicômio,
algo parecido como em um sonho,
um pesadelo, e eu, me escondo.

Meus pés continuam gelados
e nada há de aquecê-los
pois o meu coração fora carbonizado
mesmo antes, mesmo antes, de eu pode dizê-lo...

"Deixe-me sofrer calado."

terça-feira, 1 de maio de 2012

Póstuma Vaga Lembrança.

Será hoje em uma pedra lisa e negra
que meu corpo repousará frio
será hoje, eu sinto que pode ser
pois o ácido me espera embaixo da cama.

Não consigo resolver os problemas.
Não consigo compreender as frustrações.
Sua simples ária para mim é uma sinfonia infinita de complexidade...
Maldade, dentro de mim.

Retirei minha armadura forjada por tantos anos
com tantas forças
com tanta magia
mas Ele veio e me fez retirá-la.

Eu não deveria ter aceito o pedido,
deveria ter continuando gemendo tímido
enquanto ninguém soubesse
não haveria perigo.

Um pedra negra me aguarda para um descanço
em seu leito frio e sem vida
onde meu corpo podre se tornará cinzas
quando a festa começar a se manifestar;

Morte, minha amiga companheira
venha logo pois eu não suporto
me sentir vivo e infeliz,
excluido e se excluindo...
Como um maldito e teimoso aprendiz.

Eu preciso de dor para não sofrer
sofro por ter medo de sofrer mais..


Meu corpo frio reposusará sobre
um mármore negro.
E quando os anos se passarem
Só restará no lugar de um túmulo, um amontoado de espinhos...tudo será apagado, todos esquecerão...
E meu corpo será envolto em uma petra negra e fria até que o mato cubra seu nome na lápide...
E você não se torme nada.

sábado, 28 de abril de 2012

Estado Terminal

Não há curativo que cure
esta ferida aberta
pois a qualquer dor estou imune
o mundo, portante suicidas detesta.

A lâmina fina cortando a minha pele vergonhosa,
e uma lágrimas sádica descendo pelo meu rosto.
Mais uma vez me corto
e a vergonha eu encontro.

Nada, nenhuma cura há para meu coração.
Sou pecador, sou sodomita e queimarei no inferno.
Eu não me adapto, não me amo,
a cada dia eu me mato.

Não sinto tristeza, só raiva
só raiva e um desprezo de mim mesmo.
Preciso me cortar mais, é a saída,
dessa maldita vida...

Como é lindo ver o sangue jorrar do meu corpo,
não é assim Senhor que você me quer?
Então darei todo o meu sangue por você!
Até o dia em que não haverá mais sangue nas minhas veias...

Espero que seja logo, espero que seja rápido
eu sinto agora um desejo não apenas de me ferir...
Quero morrer.

domingo, 22 de abril de 2012

Floréal

Eu gostaria de encontrar uma força
gostaria mesmo que nada fosse
assim tão fraco
frágil.

Mas a força não vem.
Eu consigo apenas pensar em você
como culpado de tudo
aquilo que acontece comigo....

Há momentos que eu quero marcar mais ainda meu corpo
e a cada instante
respirar a cada instante
vai-se tornando insuportável.

Queria poder encontrar uma força
mas ninguém se importa com isso
mesmo que eu esteja aqui na desgraça
nem mesmo eu me importo.

Os sonhos me persseguem
você me persseguem em sonhos
e quando segurei a mão da menina linda de vestido verde
outrem segurava minha outra mão...

Será a força que eu não consigo ver?
Eu tenho medo
E coragem ao mesmo tempo
Tenho ódio...
E amo ao mesmo tempo.

A única certeza que tenho
é de que a vida não é bela
que as flores não perfumarão os meus caminhos...
Tenho essa certeza que as flores não perfumarão os meus caminhos
pois eu já estarei morto antes da Primavera.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Paralítico


Queria poder rolar na areia
e dançar como se dança os alegres
e cantar como cantam aqueles
que apenas se divertem.

Mas os meus pés não tem força para isto
minhas mãos não balançam
meu corpo pende
como se eu aleijado fosse.

Mesmo a música penetrando meu íntimo
mesmo eu chorando com suas notas
mesmo eu procurando um rítmo
eu não consigo dançar.

Por que eu estou sendo assassinado
alguém me matou outra vez
e eu preenchi meu coração de maldade
preenchi com mentiras onde havia verdade...

E hoje estou sem ninguém...

Eu queria poder dançar na areia
sentir o mar no meu corpo...
Mas o meu corpo pende...
Meu corpo pende até o dia que cairá de vez.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ego Plus Trina


Tem algo de revoltado que se revira dentro de mim
como uma feiticeira furiosa
uma bruxa
uma fada má
conhecedoras de magia...

Elas querem ver o seu corpo sangrar
elas querem ver os seus olhos chorar
elas querem ver o seu coração doer
assim como você fez comigo...

Elas me pedem a cada instante
"Dê-nos ópio, açucar, coisas de infante".
Eu penso, resisto, mas elas são mais fortes que eu...
São feitas de mágoas, de tristeza, de revolta, magia...

E a fada maligna sentada no meu ombro pede-me algo aos ouvidos
de assustado um "não" eu digo, ela apenas sorri e me ignora.
A Feiticeira então acende uma vela, por hora, e pinga nos meus olhos um pouco de cera:
"Veja meu querido agora, as chagas, veja como elas são vermelhas".
A bruxa me olha com desprezo, cospe no chão,e diz algo como " inferno interno, enterro-te, liberta-se, meu rei, meu amor,meu inimigo, meu servo"...

Há algo que caminha aqui dentro,
Allana,Soijenia,Fiokira...As três malignas que batem no meu peito a cada instante...
Eu eu aos poucos, como um desesperado errante,
sinto a vontade imensa em as libertar.

sábado, 14 de abril de 2012

Insípido


Que beijos secos,
sem paixão, frios,
sem intensidade, vazios...
beijos tensos.

Que aventura solitária,
em uma festa de lobos
e eu como o agnea tolo
fui-me divertir, nervoso.

E o máximo que encontrei foram outros
outros rostos,
outros seres tolos
que como de famintos, rosnavam perto daqui.

E o meu coração ainda lembrava
do Judas maligno e covarde
que podendo carregar a cruz da verdade
preferiu se entregar ao prazer material.

Então os beijos secos
sem sabor
indecisos
sem uma cor

foram beijos secos
foram luzes fortes
foram pessoas estranhas
e tudo então passou...

Sozinho caminhando pela madrugada
um momento frio
só meu, para se lembrar, pra tentar lembrar...

Foram beijos frios,
em uma festa de lobos
onde estava preso em uma armadura um cordeiro,
que de maldade e olhar sorrateiro
ganhou beijos, sem amor.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Perdido nas Trevas


Foi-me deixado um vazio
por alguém, não sei quem, sozinho.
Uma dor intensa e fria
que esfria as lágrimas quentes de outrora.

Quanto tempo irá durar- a dor,
não sei demora.
Mas o meu corpo se arrasta,
enquanto a minha boca amarga, elas mesma, me devora.

Tenho uma dor cá dentro
tenho algo que passeia no meu vazio.

No meio do tempo
entre as folhas escritas que caem
no mar de cartas de amor
que jamais enviei, jogadas.

Em algum lugar há algo que passeia...
hora quente hora frio.

No mar de cartas cadentes
nos versos e nas palavras sem sentido
na escuridão
em um lugar estranho eu ouço algo...
algo que como uma prece
algo que como um pedido de ajuda...

Engano-me fora só um gemido.

O orvalho da dor


Onde estou? Não me reconheço.
Por que velas se não há nada escuro?
Por que o chamo, por que eu clamo
sem que nem mesmo escuto?

Por qual motivo este sangue nos meus dedos?
Perfurei-os com um espinho
tão fino quanto os meus cabelos
e o sangue, intenso, muito intenso, vermelho!

O sangue se espalha pelo rosto
eu sinto o sabor amargo, seu gosto.
Eu faço com que lágrimas escarlate jorrem dos meus olhos
e o meu brinquedo antigo
pela primeira vez...enforco!

O prazer se foi com aquele odor
do sangue pegajoso , no meu rosto...
estava eu transfigurado como um ser calado,
contemplando no reflexo o horror.

Meus dedos est]ao perfurados
eu ainda consigo sentir os meus lábios
molhados pelo líquido vermelho...
queria eu, fosse incolor...

domingo, 8 de abril de 2012

Encontre a sua Virtude


O escuro é o meu mundo
as velas iluminam este caminho negro
de uma dor dor intensa e gelada
que logo se transforma em desespero.

Minha alma, como dizem, eu não tenho mais
não tenho mais nada, o que me restou é isso
isso ai que você chama de garoto, eu sou bobo
sou imbecil, muito tolo...

Quero sentir a dor,
é a melhor maneira de poder curar este falso e cretino amor
pois eu sou um lixo, sou um lixo humano
não há mais nada para fazer aqui...

sim...há sim
sofrer...

meu mundo é de escuridão
eu danço nas trevas
eu as sinto dentro de mim
eu não minto quando digo
que a tristeza me torna feliz.

Cá dentro há dores


É ódio que sinto aqui no meu peito
é sim, o que sinto neste momento.
Os sorrisos,
falsos,
meu rosto alegre
falso
eu apenas procurei achar alegria onde jamais encontraria.

Eu estou com medo.
Estou infeliz.
Mas por quê?
Há um vazio, havia um vazio, o ódio está preenchendo-o.

Meus olhos estão cheio de lágrimas,
elas têm um doce sabor de derrota
e vou-me entregando aos poucos
àquilo que chamam morte

Mas eu já morri várias vezes
meus sentimentos bons foram morrendo
a minha alegria passou
como um raio no céu escuro pelas nuvens negras...

Eu tenho medo...
Mas neste momento...
é uma mistura de ódio e tristeza que me invade a alma
me invade o ser, o ego, o espírito, tudo isto...tudo isto que me reconheço...

é o ódio que preenche o vazio. Dor.

sábado, 7 de abril de 2012

Via Sofrida


Há algo errado comigo
e eu sei.
O amor deveria ser um amigo,
não o meu rei.

Transformei um ser tímido
em algo maior que isto
e como um perigo,
me tornei amargo

será que fui amado?
uma ilusão pode ter sido tudo aquilo
uma brincadeira
o meu brinquedo sangrento?

Meus dedos pintam cores que desconheço
paisagens que talvez eu queira ver um dia
mas há uma parte minha
um vazio intenso, que parece não se preencher

todos se foram para as suas festas
celebraram as suas luas
suas amizades vestidas de veludo
enquanto o meu sonho flutua em uma fêmea estranha e nua.

Não sei o que me falta,
mas sei o que há de sobra...
Sobra uma amor egoístico
que sem encontrar o ser místico
vai se tornando maldade.