sábado, 19 de maio de 2012

Prostra-se ao teu deus

O pobre coitado cai na mesma armadilha de sempre
não consegue suportar por muito tempo o sentimento
a felicidade parece não querer ficar próximo à ele,
mas não é por falta de aviso ou qualquer coisa.

Ele consegue se apegar ao obscuro como algo pegajoso
ele sente uma atração por aquilo que magoa
por aquilo que machuca
e no final apenas sofre.

Ele é uma criança perdida em uma ciranda de lobos...
Uma alma perdida caminhando na procissão sem sua vela para iluminar...
Uma flor sendo comida pela lagarta faminta do desespero
É sim, ele, por inteiro, o herdeiro do que é morto.

A morte o persegue sem cessar,
lado a lado como se não fosse parar
e ela não pára de falar ao seu ouvido
contando seus segredos tímidos, convidando-o para, eternamente, dormir.

E ele, com sua alma demente
com seus coração descrente
com sua fé em pedaços
e os seus braços sem força
ele não resiste, e por um momento desisti
de ressurgir do chão gelado do inferno
da chuva fina do inverno
das cinzas ardentes da fogueira
e do amor, que de tanto amar, de tanto se deixar levar...

O amor, descaracterizado, falsificado,
destronado,irreconhecível, sujo, imperceptível
esse amor corrupto, sujo e invejoso
que causa dor e remorso
que causa desamor e ódio
que causa raiva e desapego...
O amor vai devorando seu coração, pobre coitado, a cada momento por inteiro.

Pentuso, o Pneumago.

Nenhum comentário:

Postar um comentário