segunda-feira, 9 de abril de 2012

O orvalho da dor


Onde estou? Não me reconheço.
Por que velas se não há nada escuro?
Por que o chamo, por que eu clamo
sem que nem mesmo escuto?

Por qual motivo este sangue nos meus dedos?
Perfurei-os com um espinho
tão fino quanto os meus cabelos
e o sangue, intenso, muito intenso, vermelho!

O sangue se espalha pelo rosto
eu sinto o sabor amargo, seu gosto.
Eu faço com que lágrimas escarlate jorrem dos meus olhos
e o meu brinquedo antigo
pela primeira vez...enforco!

O prazer se foi com aquele odor
do sangue pegajoso , no meu rosto...
estava eu transfigurado como um ser calado,
contemplando no reflexo o horror.

Meus dedos est]ao perfurados
eu ainda consigo sentir os meus lábios
molhados pelo líquido vermelho...
queria eu, fosse incolor...

Nenhum comentário:

Postar um comentário