segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Infante


Foi-se o tempo em que eu brincava na lama,
de me melar com a areia da rua e jogar água da chuva no rosto.
Foi-se o tempo em que eu rolava no chão, na grama e me divertia com qualquer coisa,
que não fosse perigosa.
Foi-se o tempo em que eu corria de cima para baixo, quebrava vasos, jarros, galhos e continuava de pé, intacto.
Foi-se o tempo em que sonhava com fadas, anjos, amigos, amores, neve e asas, sempre sonhava acordado e tinha pesadelos quando dormia, inversão de fato.
Foi-se tanto tempo...Não lembro mais de muita coisa.
E foi-se o tempo em que eu acreditava em todos, tudo, no mundo, nas florestas e em pessoas boas...
Foi-se o tempo da credulidade, da minha bondade,do perdão, das amizades, sorrisos,algodão doce, refrigerante, festas, fogos, animais lindos...Foi-se esse tempo.
E agora o que me resta são os cacos.

2 comentários:

  1. Oi, caro Emerson!

    Às vezes sinto o mesmo, sinto como se cada vez mais o que existi de bom em mim fosse surupiado... Os momentos bons são apenas momentos! Geralmente, na balança da felicidade, não são suficientes para sanar tanta dor e sofrimento...
    Mas eu ainda tenho 'fé', não aquela que necessita se legitimar através de um Deus, mas a que surge dentro do que possue de mais precioso em mim: em minha própria existência, minha alma ou o que outros chamam de autoconfiança.

    Deixando uma reflexão:
    "Eu sou imperfeito e vivo muito bem, obrigado. E é por isso que somos
    seres brilhantes, pelos nossos 'feitos e defeitos'. Nos diferenciamos,
    entramos em dialéticas, nos desconstruímos e fazemos dos nossos
    destroços a massa para a construção de novos seres."

    Abraços!

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