Vi, uma imagem suja e distorcida
balançando em um espelho oxidado
e dentro dele, em redemoinhos de caminhos
havia uma imagem de um animal emagrecido
como pétalas cadentes de uma inflorescência
como uma lembrança vacilante da infância
ela passeou entre os espinhos da imprudência
e escorregou para o fosso da amargura
segurando-o, seres risonhos amarravam-no com ataduras
e jogavam-no no chão enlamecido
e dobrando seus joelhos abatidos
segurou um choro com nunca outra
e foi-se perdendo a cor daquela criança
e foi-se perdendo nos caminhos mais corrompidos
ela, tentou gritar, mas a mão negra segurou seu grito
e ficou remoendo no seu coração, aquela angustia
parou de balbuciar perdões e silenciou
enquanto era arrastada para a fornalha
e viu ossos e mais ossos e ouviu risadas
além de palmas e da alegria dos caídos
tentou se redimir mas fora vencido
tentou despertar mas já estava no sono
e não vendo que tudo aquilo não era um sonho
foi carregado até a fornalha do abismo
se contorceu, com a alma perfurada
se desarmou das espadas que o cortavam
na última hora, antes de ser jogado da escada
olhou para cima, mas a luz era pouca
tentou gritar e pedir socorro
tentou a súplica antes de último suspiro
e ouviu algo, como uma promessa antiga
e quase vira no caminho uma árvore gigante
tentou correr no seu espírito errante
lembrou-se de todas as lágrimas perdidas
e dos seus pés esmagados pelos caminhos
e antes de fazer a sua última petição
fora calado pela mão negra
fora arrastado entre gritos e risadas
e o seu corpo fora queimado na fornalha.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
domingo, 7 de julho de 2013
Espera
No caminho, não apenas pedras ou espinhos
há, também, e isso sempre,
há serpentes no caminho
que caminham ao seu lado
e naquele ninho que criado fora,
que por fora, e mentiras fora criado
os entes minúsculos da madre principal
correm dentro e entre as folhas
mas, nada disso é cruel
ou nada disso o pouco do homem afeta
quando este, esquece que no caminho há pedras ou espinhos,
serpentes ou ninhos...e em Adonai espera.
quinta-feira, 30 de maio de 2013
A minha dor
Maria sentiu o calor do inferno no seu corpo, no seu corpo cansado e cheio de feridas. O inferno, não estava só abaixo, estava por todo lado. O calor, que incomodava, que ressecava e que queimava o coração da menina. Chorando em cada canto deste mundo, lá vai ela sem rumo e sem esperança, só esperando o dia de morrer. Quando eu crescer, vou ser feliz, dizia ela. Mas agora nada disso era, só tinha calos, dentes podres e uma dor, uma dor mais forte que espadas atravessando o corpo, mais forte que lâminas deslizando sobre sua língua, uma dor mais forte que qualquer outra coisa. E ele calada e muda, tremula e feia, suja e imunda, maldita e cretina, uma cadela, um inseto...um verme qualquer andando por ai, é isso que eu sou, falava e chorava e sofria. Calma, um dia tudo será bom, não foi, lá veio um homem, puxou ela pelos cabelos, cuspiu no seu rosto, numa rua escura, num dia de frio, num dia de frio, ela sentiu o inferno entrar no seu corpo, consumir seu resto de ser, e cortar o seu pescoço sem pena, sem nada. Maria sentiu o frio, do inferno no seu corpo, cansado, fadado, sofrido...morto.
Maria Miséria
terça-feira, 21 de maio de 2013
Monstro do Lixo
De noite ou de dia, lá vai ela catando o lixo na cidade. Aqui e acolá, sempre há algo sujo para se olhar. Uma camisa rasgada de seda, sandálias velhas, brinquedos usados. Ela não se cansa de procurar no lixo, aquilo que nunca pode comprar.
E entre as ruas, e entre o escuro e os ratos, entre os gatos e cães abandonados, ela está. Trocando palavras por latidos. E debaixo do seu barraco colorido, ela descansa o corpo, pois a alma continua a passear, procurando no lixo dos outros, aquilo que não pode ter.
Amanhã, o sol se levanta cedo, o frio ainda está nos pés dela, quando já é hora de sair.
Procurando aquilo que brilhe no meio do sujo, aquilo que possa ser colocado ao lado de onde ela dorme...Ao lado das fotos de gente que ela nem conhece, mais fotos de gente que ela não conhece.
Ela guarda fotos de gente desconhecida, gosta de crianças...Procura fotos no lixo.
De noite ou de dia, ela continua andando, caminhando, abrindo passagens entre o lixo e a realidade, entre aquilo que tem valor e o que tem preço.
E no final do dia, quando a noite chega silenciosa, ela recolhe as suas forças e vai para casa, aquela caixa de pedaços e papelão e madeira podre;
Ela vai dormir, e por cima dela os carros e a cidade passam, assim como passam de dia, pois ela é invisível, ela se torna invisível e esquecida.
No meio do lixo, entre cães e gatos, entre ratos e fotos de desconhecidos, ela continua a sonhar.
Sonhar com um dia melhor, e não é fácil, quando todos os dias são cheios de calos e cortes, nos cacos de vidro, nas latas de milho verde...
Essa não era a vida que ela esperava, não é a vida que lha fora prometida, enquanto isso busca no outros, nos restos, em pedaços, um lugar seguro para onde não precise mais catar.
E entre as ruas, e entre o escuro e os ratos, entre os gatos e cães abandonados, ela está. Trocando palavras por latidos. E debaixo do seu barraco colorido, ela descansa o corpo, pois a alma continua a passear, procurando no lixo dos outros, aquilo que não pode ter.
Amanhã, o sol se levanta cedo, o frio ainda está nos pés dela, quando já é hora de sair.
Procurando aquilo que brilhe no meio do sujo, aquilo que possa ser colocado ao lado de onde ela dorme...Ao lado das fotos de gente que ela nem conhece, mais fotos de gente que ela não conhece.
Ela guarda fotos de gente desconhecida, gosta de crianças...Procura fotos no lixo.
De noite ou de dia, ela continua andando, caminhando, abrindo passagens entre o lixo e a realidade, entre aquilo que tem valor e o que tem preço.
E no final do dia, quando a noite chega silenciosa, ela recolhe as suas forças e vai para casa, aquela caixa de pedaços e papelão e madeira podre;
Ela vai dormir, e por cima dela os carros e a cidade passam, assim como passam de dia, pois ela é invisível, ela se torna invisível e esquecida.
No meio do lixo, entre cães e gatos, entre ratos e fotos de desconhecidos, ela continua a sonhar.
Sonhar com um dia melhor, e não é fácil, quando todos os dias são cheios de calos e cortes, nos cacos de vidro, nas latas de milho verde...
Essa não era a vida que ela esperava, não é a vida que lha fora prometida, enquanto isso busca no outros, nos restos, em pedaços, um lugar seguro para onde não precise mais catar.
terça-feira, 14 de maio de 2013
Parasito Psiquico
Do choque de amor entre duas rosas, produziu-se o fruto amarelado, que logo revelou um ser magro e enegrecido que se alimentava de sua polpa. Dentro de cada passo do desenvolvimento desta criatura, que é baseado em um sentimento ruim da condição humana. Na verdade, o fruto nada mais é que o coração, não o órgão mas sim a intima partícula do pensamento, que gera emoções e paixões. O animal que dele brota, nada mais é que a personificação dos desejos egoísticos e orgulhosos daqueles que ainda estão em condição humana.
O homem da gruta de Emeraldita..
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Espíritos Livres
Dentro do canto tímido da Ave Verde, eu ouço um chamado pela liberdade.
Seus olhos cor de âmbar, deslizam como em um mar de beleza e felicidade.A felicidade apenas se completa quando há companhia se faz. De lar em lar, mantendo vivo o espírito da Natureza em cada coração humano. São sinceros pedidos de alegria. Não são apenas desejos, é o amor que o nosso ato de amar, nos trás para perto.
Na silenciosa e profunda floresta do outro lado.
Não esperem ver fantásticas criaturas, de tamanho exuberante. Há antes milhares de espíritos livres, passeando em cada galho e fazendo de cada fruto, o germem de uma vida fantástica. Mais um...Mais um...São tantos! São lindos...são os espíritos livres.
Seus olhos cor de âmbar, deslizam como em um mar de beleza e felicidade.A felicidade apenas se completa quando há companhia se faz. De lar em lar, mantendo vivo o espírito da Natureza em cada coração humano. São sinceros pedidos de alegria. Não são apenas desejos, é o amor que o nosso ato de amar, nos trás para perto.
Na silenciosa e profunda floresta do outro lado.
Não esperem ver fantásticas criaturas, de tamanho exuberante. Há antes milhares de espíritos livres, passeando em cada galho e fazendo de cada fruto, o germem de uma vida fantástica. Mais um...Mais um...São tantos! São lindos...são os espíritos livres.
Aliandor, o último soldado de Lofaron.
terça-feira, 7 de maio de 2013
Notas de Orvalho
Temais antes as cobras silenciosas, pois aqueles que muito falam na verdade nada tem demais. Na ferida de cada palavra mal posta, pode-se notar um ar de inferioridade enorme.
Nos seus mais belos tons, nada se encontra além do próprio ego, encouraçado pelo orgulho, pela inveja, e pela fraqueza.
Pois, para estes que assim se mostram, nada melhor do que atear fogo na sua indiferença e deixar que os caminhos da vida os levem para longe de nós.
Nos seus mais belos tons, nada se encontra além do próprio ego, encouraçado pelo orgulho, pela inveja, e pela fraqueza.
Pois, para estes que assim se mostram, nada melhor do que atear fogo na sua indiferença e deixar que os caminhos da vida os levem para longe de nós.
Mis'eta.
domingo, 5 de maio de 2013
Dinesia, a dama do lado sul.
Na simplicidade das notas, eu escrevi para tí minha palavras, são cheias de erros e de acertos, mas espero que os teus olhos vejam, sem que eu precise explicar.
No lar silencioso dos povos do sul, há uma grande quantidade de sentimentos reprimidos, há uma grande quantidade de mágoas, e destruição por todo o caminho. Não obstante, as tropas do Reino, conseguiram destruir o lar mais sagrado daqueles que estavam aqui, queiramos ou não, antes de nós.
Sangue, dor, perdas.
Passei entre os corpos de infantes, passeei entre uma pintura amarga, lares destruídos. O exército do Reino foi totalmente útil, dentro dos planos deles. Não há muito o que se encontrar no chão, pois o que era verde tornou-se acinzentado e ressequido.
Ainda pude notar que as portas de algumas casas, estavam manchadas de algo, que parecido como sangue, mas que tinha um fluxo energético muito forte, que impulsionava qualquer tentativa que eu tentasse fazer, para adentrar em alguma casa: Era um escudo espiritual.
Eles sabiam de alguma forma que o ataque seria a qualquer momento, mesmo que isso tenha sido segredo.
Outra coisa que notei, é que tudo estava totalmente silencioso e frio, o efeito daquilo que fora jogado por cima da pequena civilização, foi capaz de mudar toda a atmosfera daquele lugar.
Antes do ataque, muitos deixaram os seus lares e foram em direção às montanhas do norte, com o destino aos campos.
Todas as tropas do exército, se retiraram.
Nós conquistamos, mais um lugar, entretanto, chegará o momento, e em breve será, que os portões espirituais que são mantidos com bioenergia material, serão derrubados pela força destes povos que aqui habitam desde o início, desde a fundação do mundo.
Esteja preparado para o pior, concentre seus esforços em fazer com que os seus parentes deixem suas casas.
Pois a guerra começará, já.
"No pequeno baú que ma destes
eu pus os fragmentos do tes'uro.
Nada, ou alguém, poderá tocá-lo
sem'antes derramar do seu próprio pcado."
Dinesia, a dama do lado sul.
quarta-feira, 1 de maio de 2013
8º Encontro com o Menino Curioso
"Está a andar na rua um cachorro manco, de olhar inocente, de jeito de gente. Está a andar na rua esta criatura fantástica, que carrega no seio, que é parte- e um todo- dela mesma, e por si só." - Almiran, o desbravador da floresta seca.
Abra a mente, e veja além da parede
se não se sente livre de verdade
então se jogue na verdade
e liberte-se para sempre.
O que será do mundo sem a arte,
sem a fantasia de criar
sem o amor de ver aquilo
ser o que na verdade é.
Eu vejo os sonhos dos meninos
se tornarem realidade
as princesas de cor negra
descobrindo a realidade.
O ouro não compra o mais precioso bem
daqueles que conhecem bem
o único tesouro que ele não compra.
Abra a mente, e veja além da parede
se não se sente livre de verdade
então se jogue na verdade
e liberte-se para sempre.
O que será do mundo sem a arte,
sem a fantasia de criar
sem o amor de ver aquilo
ser o que na verdade é.
Eu vejo os sonhos dos meninos
se tornarem realidade
as princesas de cor negra
descobrindo a realidade.
O ouro não compra o mais precioso bem
daqueles que conhecem bem
o único tesouro que ele não compra.
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