segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Vi, uma imagem suja e distorcida
balançando em um espelho oxidado
e dentro dele, em redemoinhos de caminhos
havia uma imagem de um animal emagrecido
como pétalas cadentes de uma inflorescência
como uma lembrança vacilante da infância
ela passeou entre os espinhos da imprudência
e escorregou para o fosso da amargura
segurando-o, seres risonhos amarravam-no com ataduras
e jogavam-no no chão enlamecido
e dobrando seus joelhos abatidos
segurou um choro com nunca outra
e foi-se perdendo a cor daquela criança
e foi-se perdendo nos caminhos mais corrompidos
ela, tentou gritar, mas a mão negra segurou seu grito
e ficou remoendo no seu coração, aquela angustia
parou de balbuciar perdões e silenciou
enquanto era arrastada para a fornalha
e viu ossos e mais ossos e ouviu risadas
além de palmas e da alegria dos caídos
tentou se redimir mas fora vencido
tentou despertar mas já estava no sono
e não vendo que tudo aquilo não era um sonho
foi carregado até a fornalha do abismo
se contorceu, com a alma perfurada
se desarmou das espadas que o cortavam
na última hora, antes de ser jogado da escada
olhou para cima, mas a luz era pouca
tentou gritar e pedir socorro
tentou a súplica antes de último suspiro
e ouviu algo, como uma promessa antiga
e quase vira no caminho uma árvore gigante
tentou correr no seu espírito errante
lembrou-se de todas as lágrimas perdidas
e dos seus pés esmagados pelos caminhos
e antes de fazer a sua última petição
fora calado pela mão negra
fora arrastado entre gritos e risadas
e o seu corpo fora queimado na fornalha.

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