Maria Miséria
quinta-feira, 30 de maio de 2013
A minha dor
Maria sentiu o calor do inferno no seu corpo, no seu corpo cansado e cheio de feridas. O inferno, não estava só abaixo, estava por todo lado. O calor, que incomodava, que ressecava e que queimava o coração da menina. Chorando em cada canto deste mundo, lá vai ela sem rumo e sem esperança, só esperando o dia de morrer. Quando eu crescer, vou ser feliz, dizia ela. Mas agora nada disso era, só tinha calos, dentes podres e uma dor, uma dor mais forte que espadas atravessando o corpo, mais forte que lâminas deslizando sobre sua língua, uma dor mais forte que qualquer outra coisa. E ele calada e muda, tremula e feia, suja e imunda, maldita e cretina, uma cadela, um inseto...um verme qualquer andando por ai, é isso que eu sou, falava e chorava e sofria. Calma, um dia tudo será bom, não foi, lá veio um homem, puxou ela pelos cabelos, cuspiu no seu rosto, numa rua escura, num dia de frio, num dia de frio, ela sentiu o inferno entrar no seu corpo, consumir seu resto de ser, e cortar o seu pescoço sem pena, sem nada. Maria sentiu o frio, do inferno no seu corpo, cansado, fadado, sofrido...morto.
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