
As correntes prendem meus braços
mas eu não as vejo
talvez por que eu não queira
talvez por que eu esteja cego.
As correntes estão presas aos meus braços
e o que eu posso fazer senão chorar?
Tento desatá-las, mas não são cordas
são duras, são fortes e pesadas.
E desde quando as corrente vieram,
fincaram-se, aos poucos
e a alegria não pode destruí-las
Mas por quê alegria? Por quê?
As correntes me prendem ao passado
ao passado de dores e de desespero
eu carrego comigo uma criança
caminhando para lados opostos...
Até aonde?
Até quando?
E como acabará?
São as correntes que não me deixam caminhar para frente....
Correntes do desespero.
Correntes de um doentio desejo.
Deixem-me livre.
Eu não preciso de vocês...
Eu não preciso dessa criança perto de mim...
Queria que as correntes se quebrassem...
E então eu poderia caminhar sem carregar seu peso
eu poderia caminhar sem ficar surpreso
de ter alguém -eu mesmo- preso a mim.
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