quinta-feira, 29 de março de 2012

No Mar de Pregos


As correntes prendem meus braços
mas eu não as vejo
talvez por que eu não queira
talvez por que eu esteja cego.

As correntes estão presas aos meus braços
e o que eu posso fazer senão chorar?
Tento desatá-las, mas não são cordas
são duras, são fortes e pesadas.

E desde quando as corrente vieram,
fincaram-se, aos poucos
e a alegria não pode destruí-las
Mas por quê alegria? Por quê?

As correntes me prendem ao passado
ao passado de dores e de desespero
eu carrego comigo uma criança
caminhando para lados opostos...

Até aonde?
Até quando?
E como acabará?

São as correntes que não me deixam caminhar para frente....
Correntes do desespero.
Correntes de um doentio desejo.
Deixem-me livre.
Eu não preciso de vocês...
Eu não preciso dessa criança perto de mim...

Queria que as correntes se quebrassem...
E então eu poderia caminhar sem carregar seu peso
eu poderia caminhar sem ficar surpreso
de ter alguém -eu mesmo- preso a mim.

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