sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Intestino Grosso


Baratas servidas em um prato de mofo.

Uma mordida no ovo podre,

um gole no leite azedo ,

no pão de "tenébrio"...



No doce coberto de formigas,

no pedaço de torta mordida

por ratos,

por catitas.



Que nojo,

que nojo,

cheiro de escremeto,

um ar de lugar morto.



Uma ânsia de vômito,

que não pára,

que não se concretiza...

Cobrindo o meu corpo de baratas,larvas,moscas...Mata!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Quebrantado

Jovens e felizes,
apenas amigos.
E um mundo tão lindo
que tanto sonhavam.

Borboletas bebendo
o leite das flores.
E o rio cheio de peixes
pequenos, montes.

E os jovens amantes
da natureza,
desbravadores
de animais esquisitos.

Com suas crenças
em fadas e duendes.
Em folhas que falam,
em um mundo sem maldade.

E então chega o dia da despedida
aos seres mágicos,
as histórias que viveram
na infância.

Vem assim vestido de negro,
portando uma chave na mão
e um cadeado na outra -em sonhos-
um moço...

Entrega a chave ao loiro,
e ao negro deixa o cadeado enferrujado.
E some em meio a carros e pessoas,
apressadas, nervosas, cansadas.

Acaba tão rápido o sonho
os seres,
a floresta
a água.

Acaba assim, simplesmente acaba
o desejo de se verem,
surge um repúdio,
surge um nojo...em quase tudo.

Vislumbrados com a nova floresta,
um floresta de enormes pessoas apressadas,
de rios, e rios de esgoto...
De folhas de papel que dizem:" Compre agora!".

Acordam e se tornam...
parte viva da floresta,
de verdadeiras mentiras.

Seriedade

Decepção se chama
aquilo que não quero ser.
Mas apesar de tudo,
me persegue.

E dentro desse circulo de fogo
ardente.
Eu sonho como um lobo
querendo comer carne.

Agora eu risquei,
Agora eu rasguei
as cartas de amor
que um dia escrevi.

Tão cedo não vou
me sujar com vocês.

O mundo não merece
mais alguém como eu.

Deve ter sido ódio
mas agora acabou.
O sonho do garoto
cor de lama se afundou.

E o cheiro da
discórdia
que um dia plantou,
será como a carda, que o sonho apertou.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ouça-Me


Só preciso de um minuto para poder chorar um pouco.
Retirar do meu pescoço esse grito de horror.
Misturar as minhas crenças em um único objeto,
e deixar a existência, o seu céu ou o inferno.

Eu preciso de uma prece que me faça regredir,
para quando o mundo era uma simples bola escura,
e meus lábios não podiam se ferir,
não havia um corpo de animal, me servindo de armadura.

Vamos todos os meus seres,
cantaremos juntos,
para se livrarmos
desse insulto,
borboletas cobrem o nosso leito
para sempre como um
simples defeito.

Eu queria que o mundo
não soubesse que existo,
não preciso de um sorriso,
não preciso de vocês.
Eu pretendo desistir
desse circo de maldade,
e moldar a minha face,
com um olhar de desgosto.

Sombras no quintal
cheio de lepras.
Vermes imortais,
que me cercam,
cercas de arame,
que me arranham,
do meu reto,
saem aranhas.

Tudo isso um dia, será mais uma história,
e pára por agora, toda a minha alegria,
vivendo como um louco na gaiola doméstica,
eu sinto como uma peça, estivesse indo ao fim.

Aplausos para mim,
que passo ao outro lado,
para divertir,
demônios alados,
que me necessitam
para roubar-me,
que só podem ir
aonde eu vá.

Tanta mágoa seca que sujou meu coração,
e toda bondade que eu faço vira vã.
Não lembram que sorrisos eu tanto lhes mostrei,
e agora só se lembram daqueles passos que errei.

Flores no meu copo de sobremesa,
e os seus espinhos,na minha gengiva
estou quebrando tudo
que possa curar-me,
e nesse instante surdo quero que tudo acabe.

Frases soltas sem sentido,
vejo até mim.
Você não sabe o perigo que é viver aqui,
cercado de bestas-feras que querem me comer,
e ao simples pecado que cometo, vou morrer...

Paro a jornada de imensa dor maior,
a para onde vou serei daqueles o menor,
mas não resisto então viver assim como mortal,
e nem um imortal, e nem um imoral que sou.

Frases soltas que inferno,
esse verão maldito do inverno.
Ódio chove na minha língua,
que vermelha está de tantas feridas.

Suportando o peso da loucura de outrem...eu firo a sua nunca como se um porco fosse,
as suas oferendas aos seus estúpidos deuses negros,
ou aos seus gênios malditos,
malditos de terreiros...

Sinto nojo desses templos,
foi-se o tempo em que eu sorria,
era noite,
sonhos,
dia, era tudo que eu tinha...

Agora só me resta um pedaço de pão,
com um copo de água, que alimenta a minha mão.
A caneta ferida que estoura sem razão
e mancha mais ainda o meu triste...não.

Ninguém pode me arrancar mais nenhuma lágrima,
nem de raiva. De nada!
Fique sabendo que eu estou sozinho,
mas suas maldades irão junto comigo.

Não haverá ninguém para perseguir.

Meu favorito desejo estúpido.

O meu particular, cárcere fundo.

Esquece Como Minto


Você diz que ama o seu mundo perfeito,
que suas ilusões,
que tudo isso é o certo.

Lembra sempre que o meu pensamento é errado,
por isso eu escrevo, antes bem fico calado.

Nada do que penso é pensado por você
ou o que escolho é tão bom para se vê.
Minhas flores sempre são as mais sem cheiro
e o meu cabelo é sempre o mais feio.

Diga que seu lado nunca está sujo,
ou que minha cama se parece com um muro
que não me atinge pois sou mais forte que você,
e prefiro não falar pra todo mundo, e escrever.

Minhas linhas tortas sempre são uma blasfêmia,
as minhas palavras são como uma brisa amena,
naqueles seus ouvidos eu não tenho como entrar,
e no seu coração, muito menos vou ficar.

Você diz que não mereço o paraíso,
que meu coração é como um xisto,
duro, escuro e sempre, sempre,
dolorido.

Não se lembra que o levanto sempre,
que acolho os seus defeitos dementes,
minhas mãos são calejadas de ajudar,
porém, minhas palavras nunca há de escutar.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Descendo


Engulo tudo sem reclamar nenhum pouco, engulo um porco, uma aranha, uma cretina,uma madame fina, um imundo sem rumo, um mundo!




Engulo a água barrenta, salgada e podre que brota da minha porta (que não é minha).


Não tenho casa,não tenho sorte, não tenho nada além de mim.




Não vejo nada, além dos outros, e o meu corpo vai-se decompondo.Os meus calos aumentam,meus tumores doem, tudo em mim arde muito.




Muito fogo me consome as noites.


Sem vento, sem vento, que droga!




Engulo areia, fezes de vacas...Eu sofro o dobro, o sofrimento do outro...Do outro lado!




Eu falo, em silêncio, sim,em silêncio apenas que falo.


Apenas para mim.


Engulo coisas, que descem e querem voltar...




Engulo pelos ouvidos, pelos olhos, pelas mãos, pelo nariz eu engulo.




Não mastigo nada, apenas corro.




Bem para longe de todos que me odeiam,


que me rodeiam.


Bem para longe de tudo que não acredito,


que acredita em mim.


Bem para longe de quem eu sinto nojo,


e que fingem que não sentem também.




Engulo vidro, engulo velas,


engulo telas, engulo tinta,


engulo pedras,poeira, fitas.


Músicas velhas,fotografias


engulo brigas, sujas roupas molhadas.




Engulo a fome, a morte...




Engulo o choro.


Tolo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sopro


Ventos,
ventas, sombras lentas.

Ouro, fossa,
minha nossa!

Desalento,
fome, morte.

Sorte de quem gasta,
basta,pasta na ferida.

Arde a minha vida,
carne de segunda.

Muda, surda,
aleijada, não deficiente.

Indiferente,
voz fina, crente, cretina.

Templo barulhento,
tempo perdido.

Folhas morenas,
em um quintal.

Esquecido.