sexta-feira, 29 de junho de 2012

Flocos de dor

Lágrimas ficam presas aos olhos
que assustados não se contentam com a imagem
eles se espelham na inveja
e na ira se afogam.

Lágrimas, agora escorrem pela boca
"Satanás diria saborosas",
tem sabor de sangue
e rosas.

Queimam o meu rosto como brasa
e meu coração se debate
minha mente se debate
e o inferno se abre...

Entro em um turbilhão
e os sentimentos se tornam vãos
por que eu não me sinto liberto?
Será que é isto mesmo que quero?

O corpo treme de frio
e o peito palpita o ódio
que eu deveria ter matado o demônio
antes dele ter me matado.

Agora o medo me prende...
E eu me jogo nos seus braços
e eu me entrego aos seus abraços...inerte.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Flama

Queimo meus sonhos
em uma lápide de gelo
em um lugar, nos seus
cabelos eu me derrubo.

Queimo em febre
e borbulhando o coração
me atenho
nada mais tenho é verdade
temo mais uma triste ilusão.

Queimo minhas lágrimas
nesta fogueira de ossos
e desamarro meus laços
dos seus olhos

Meu fracasso.

Queimo meus olhos
nas brasas desta festa
nas lembranças alegres da infância
quando eu queria viver
na esperança, na dança
eu quero queimar na festa.

Só me resta uma cicatriz na mão
e um sinal cruel na testa,

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Revoltada


Ouça a natureza branca,
chamar seu nome, seu nome amor.
E suas cores, suas flores santas,
colorir um mundo de dor.

Até quando você me vê,
na árvore, presas aos galhos.
E o meu sorriso e minhas preces,
eternamente empalhadas.

Nada do que você ouviu,
foi verdade.
O vento levou a maldade,
deixou o sentido amarrado.

O que chegou a você foi um lado,
lado que não admito,
não admito ser contrariada,
como uma libertina...

Dentro da caixa vermelha,
eu guardo todas as vozes,
todas as palavras,
que todas as vezes, vomitaste.

Allana Menáde

Orgia


Venha para o nosso mundo,
repleto de panos imundos,
sorrisos macabros e choros,
faça parte desse coro.

Venha criança,
nos veja na dança
seu corpo suado
exala o perfume.

A libertinagem,
existe em nós,
então venha logo,
gozar nos lençóis
a festa acaba quando você quer,
e a sua cadela você irá querer ser.

Choramos,
e rimos,
de todos vocês
os seu inimigos
estão no espelho
o medo
o desejo que não se entregam
iram levá-los a loucura.

A cura para a dor,
não é o amor,
e sim a mais pura doçura...
Repleta de sangue de putas...

Patas,
urros, as velas o mundo escuro.

Sonhos,
monstros,as camas que loucas balançam.

Venha logo se entregar
para que possamos nos tocar
e você verá que Ele não existe,
é triste mais terá que superar...

Anda, agora é hora de tudo,
que o seu mundo não permitia...
Aqui você será o rei,
será aquilo que engolirá outros.

Terá o seu pequeno tesouro,
em uma noite de puro prazer...
O que espera, o que espera acontecer?
Que colham as flores e acendam velas?

Estamos aqui!

Allana Menáde

Elephantazia!


Eu estou daqui de cima olhando os que passam, claro, abaixo.
E não entendo o modo como conseguem ver o mundo, correndo de lado.
Sou mais esperta que uma ninfa que tosse se engasgando,
eu sou pequena e fingida, Soprano.
Canto as mesmas melodias estranhas, desde os já passados anos.
Choro das mesmas estórias sem graça que me contam,
vislumbro os mesmos funérais de crianças que sonham, corro através dos mesmos portais, caio nos mesmo buracos.
Entendo cada palavra da boca do sapo,do vagalume, da mariposa, do morcego, entendo até os ruídos irritantes de ratos,só não consigo entender quem me procura de fato.
Sou uma louca desvairada sem rumo
que vivo de viver a vida alheia
que vivo de colar leite de Jáca no cabelo das sereias,
só por ser assim...
Por não ter em mim...
O que procuro...

Allana Menáde

Madame


Livre estou para molhar meus cantos
e regar minhas rosas com prantos.
Livre sou para construir encantos
e desmascarar as tristezas do meu conto.

Nessa minha infita prece
temo que nem ao céus
o meu desejo alcance
como se não fosse o bastante
ter que viver carregando um corpo estranho.Onde?

Longe, amor, querido amigo, longe.
Em um lugar onde você nem imagina,
isso se torna então a sua simples sina:
Ter que comer a carne do Elefante.

Só em seus sonhos, como uma prostituta
desejando o corpo de um pequeno homem
e se deliciando com seus cabelos enrrolados
com seu corpo suado, em contato com seus seios grandes.

Pára amor, que minhas palavras são educadas
eu não costumo utlizar o sexo como fonte
de uma inspiração cruel e barata
para ter na minha frente um texto asfixiante.

Allana Menáde

O Mundo: Reino.


Sinto chegar de longe,
um lugar onde tudo será complicado,
onde o certo às vezes se torna errado,
onde o servo não passa de um senhor frustrado.

Eu sinto e vem tão intensamente,
que posso sentir os odores:
Dos campos de flores gigantes brancas,
e do gelo que sobe pelos pescoços longos.

Ouço até os pandeiros, pandeirolas,
e o barulho das fitas cortando o vento
e as pegadas no chão hora seco hora lamacento,
e os gritos de alegria, dor, festança.

Vem, como o reflexo de uma vida de esperanças
vem como um pedido, um desejo incontrolável
está vindo logo, já, é fato
e eu espero que seja realmente mágico.

Onde Eu estarei dentro de cada corpo,
onde cada alma estará dentro de mim,
e os seres que não carregam uma pele quente,
mostram a verdade por trás de máscaras de cobre.

Eu vou desbravar junto com um menino pobre,
que acredita mesmo em um amor eterno
e descobrirá que será seu inferno a paixão doente
e inexplicável.

Vem...Que está vindo logo,e eu espero que seja realmente mágico.

Do sabor paralítico


Achas mesmo que o que vês é a verdade?
Como se novamente não pudesse acontecer
e, esquecendo a verdadeira loucura da maldade
você insiste em querer sofrer!

Tento avisá-lo que o caminho é podre
com as mesmas pedras e espinhos vís
mas você nunca ouve seus febris,ais,
que outrora fostes!

Pensas mesmo que o olhar não é um furto
que a mão macia não é mera ilusão
e que a taquicardia do seu coração
não passa mesmo de um outro golpe

Como um daqueles que roubou tua sorte
no vigésimo oitavo dia de dezembro
e você lá, como um mendigo
a esperar pelas notícias...morte!

Foi então por isso que o tornei tão forte
foi para isto que queria privá-lo
não se preocupe se poderá amá-lo
o que importa e se manter mais vivo

Será para nós todos o melhor alívio
pois não queremos mais sofrer em vão
roer os ossos por uma ilusão
que é criada no seu ego intímo...

Eu tento ser o seu irmão legítimo
tento curar suas feridas sujas
e mesmo assim você, sempre lambuza
a boca com palavras de blasfêmia...

Pareces esconder no corpo uma fêmea
enferma e solitária como a peste
que ressucita sempre que merece
um sonho cheio de insetos e odores...

Espero mesmo que os seus amores
que este não mais seja o pecado
e que não ponha coroa e nem atributos de alado
em um outro ser humano sem pudores...

Não mais precisa viver nessa fossa
que te provoca os mais infernais pasadelos...
E mesmo se quebrares o espelho,
o meu reflexo estará em seus olhos...

Pois não desisto de ser ilusório
como você, não quer ouvir minha prece
e mesmo que do céu o seu amor me desse
não furtaria de você mais um segundo...

E sempre que precisar de mim estarei lá,
naquele mundo,
nas fitas, folhas e no coração celeste...

Solitude

Que será a solidão
pois não sei onde ela mora
se é onde ou aonde
se é ontem, hoje ou agora.

Se no final ela ainda aguarda
se algo nela guarda
se por mim ela não estaria cansada
de esperar, esperarando...

Que será isto
se é que isto algo é
temo visões de um ser mítico
e meu corpo místico começa a desaparecer...

"Desfaleço sobre esta taça de vinho amargo
em me embriago com as desconexões de vênus
meu corpo marciano não suporta
suas paixões e suas dores..."

Que será isto
a solidão...
não é um vazio
pois ainda algo sinto
pois sinto como se estivesse em perigo
por não poder amar
por não poder chorar
nem mesmo se emocionar
pela imagem no espelho velho
nem sorrir
nem ferir
nem
ir...

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Brotrar do Fruto

Vinte e um caixões sendo enterrados
e o sorriso de glória dos coveiros
e o vento frio nos cabelos
e o tempo sem nuvens parado.

São os anos em que me afundei calado
são as horas em que me perdi perplexo
são as obras sem reflexo
de um anjo mudo, fadado.

Foram nove mil quilos de diamantes
como lágrimas petrificadas
foi o preço que eu paguei
foi a dor que eu suportei, sem nada.

Duas flores murchas,
duas rosas vermelhas como antes
que agora doentias e sem semblantes
pendem do galho com seus espinhos podres...

Não chorarei mais por elas
se foram, estão sem perfume, sem cor...sem brilho...
Não valem e nem valerão a pena
que eu chore mais nove mil quilos de diamantes.