sábado, 28 de abril de 2012

Estado Terminal

Não há curativo que cure
esta ferida aberta
pois a qualquer dor estou imune
o mundo, portante suicidas detesta.

A lâmina fina cortando a minha pele vergonhosa,
e uma lágrimas sádica descendo pelo meu rosto.
Mais uma vez me corto
e a vergonha eu encontro.

Nada, nenhuma cura há para meu coração.
Sou pecador, sou sodomita e queimarei no inferno.
Eu não me adapto, não me amo,
a cada dia eu me mato.

Não sinto tristeza, só raiva
só raiva e um desprezo de mim mesmo.
Preciso me cortar mais, é a saída,
dessa maldita vida...

Como é lindo ver o sangue jorrar do meu corpo,
não é assim Senhor que você me quer?
Então darei todo o meu sangue por você!
Até o dia em que não haverá mais sangue nas minhas veias...

Espero que seja logo, espero que seja rápido
eu sinto agora um desejo não apenas de me ferir...
Quero morrer.

domingo, 22 de abril de 2012

Floréal

Eu gostaria de encontrar uma força
gostaria mesmo que nada fosse
assim tão fraco
frágil.

Mas a força não vem.
Eu consigo apenas pensar em você
como culpado de tudo
aquilo que acontece comigo....

Há momentos que eu quero marcar mais ainda meu corpo
e a cada instante
respirar a cada instante
vai-se tornando insuportável.

Queria poder encontrar uma força
mas ninguém se importa com isso
mesmo que eu esteja aqui na desgraça
nem mesmo eu me importo.

Os sonhos me persseguem
você me persseguem em sonhos
e quando segurei a mão da menina linda de vestido verde
outrem segurava minha outra mão...

Será a força que eu não consigo ver?
Eu tenho medo
E coragem ao mesmo tempo
Tenho ódio...
E amo ao mesmo tempo.

A única certeza que tenho
é de que a vida não é bela
que as flores não perfumarão os meus caminhos...
Tenho essa certeza que as flores não perfumarão os meus caminhos
pois eu já estarei morto antes da Primavera.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Paralítico


Queria poder rolar na areia
e dançar como se dança os alegres
e cantar como cantam aqueles
que apenas se divertem.

Mas os meus pés não tem força para isto
minhas mãos não balançam
meu corpo pende
como se eu aleijado fosse.

Mesmo a música penetrando meu íntimo
mesmo eu chorando com suas notas
mesmo eu procurando um rítmo
eu não consigo dançar.

Por que eu estou sendo assassinado
alguém me matou outra vez
e eu preenchi meu coração de maldade
preenchi com mentiras onde havia verdade...

E hoje estou sem ninguém...

Eu queria poder dançar na areia
sentir o mar no meu corpo...
Mas o meu corpo pende...
Meu corpo pende até o dia que cairá de vez.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Ego Plus Trina


Tem algo de revoltado que se revira dentro de mim
como uma feiticeira furiosa
uma bruxa
uma fada má
conhecedoras de magia...

Elas querem ver o seu corpo sangrar
elas querem ver os seus olhos chorar
elas querem ver o seu coração doer
assim como você fez comigo...

Elas me pedem a cada instante
"Dê-nos ópio, açucar, coisas de infante".
Eu penso, resisto, mas elas são mais fortes que eu...
São feitas de mágoas, de tristeza, de revolta, magia...

E a fada maligna sentada no meu ombro pede-me algo aos ouvidos
de assustado um "não" eu digo, ela apenas sorri e me ignora.
A Feiticeira então acende uma vela, por hora, e pinga nos meus olhos um pouco de cera:
"Veja meu querido agora, as chagas, veja como elas são vermelhas".
A bruxa me olha com desprezo, cospe no chão,e diz algo como " inferno interno, enterro-te, liberta-se, meu rei, meu amor,meu inimigo, meu servo"...

Há algo que caminha aqui dentro,
Allana,Soijenia,Fiokira...As três malignas que batem no meu peito a cada instante...
Eu eu aos poucos, como um desesperado errante,
sinto a vontade imensa em as libertar.

sábado, 14 de abril de 2012

Insípido


Que beijos secos,
sem paixão, frios,
sem intensidade, vazios...
beijos tensos.

Que aventura solitária,
em uma festa de lobos
e eu como o agnea tolo
fui-me divertir, nervoso.

E o máximo que encontrei foram outros
outros rostos,
outros seres tolos
que como de famintos, rosnavam perto daqui.

E o meu coração ainda lembrava
do Judas maligno e covarde
que podendo carregar a cruz da verdade
preferiu se entregar ao prazer material.

Então os beijos secos
sem sabor
indecisos
sem uma cor

foram beijos secos
foram luzes fortes
foram pessoas estranhas
e tudo então passou...

Sozinho caminhando pela madrugada
um momento frio
só meu, para se lembrar, pra tentar lembrar...

Foram beijos frios,
em uma festa de lobos
onde estava preso em uma armadura um cordeiro,
que de maldade e olhar sorrateiro
ganhou beijos, sem amor.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Perdido nas Trevas


Foi-me deixado um vazio
por alguém, não sei quem, sozinho.
Uma dor intensa e fria
que esfria as lágrimas quentes de outrora.

Quanto tempo irá durar- a dor,
não sei demora.
Mas o meu corpo se arrasta,
enquanto a minha boca amarga, elas mesma, me devora.

Tenho uma dor cá dentro
tenho algo que passeia no meu vazio.

No meio do tempo
entre as folhas escritas que caem
no mar de cartas de amor
que jamais enviei, jogadas.

Em algum lugar há algo que passeia...
hora quente hora frio.

No mar de cartas cadentes
nos versos e nas palavras sem sentido
na escuridão
em um lugar estranho eu ouço algo...
algo que como uma prece
algo que como um pedido de ajuda...

Engano-me fora só um gemido.

O orvalho da dor


Onde estou? Não me reconheço.
Por que velas se não há nada escuro?
Por que o chamo, por que eu clamo
sem que nem mesmo escuto?

Por qual motivo este sangue nos meus dedos?
Perfurei-os com um espinho
tão fino quanto os meus cabelos
e o sangue, intenso, muito intenso, vermelho!

O sangue se espalha pelo rosto
eu sinto o sabor amargo, seu gosto.
Eu faço com que lágrimas escarlate jorrem dos meus olhos
e o meu brinquedo antigo
pela primeira vez...enforco!

O prazer se foi com aquele odor
do sangue pegajoso , no meu rosto...
estava eu transfigurado como um ser calado,
contemplando no reflexo o horror.

Meus dedos est]ao perfurados
eu ainda consigo sentir os meus lábios
molhados pelo líquido vermelho...
queria eu, fosse incolor...

domingo, 8 de abril de 2012

Encontre a sua Virtude


O escuro é o meu mundo
as velas iluminam este caminho negro
de uma dor dor intensa e gelada
que logo se transforma em desespero.

Minha alma, como dizem, eu não tenho mais
não tenho mais nada, o que me restou é isso
isso ai que você chama de garoto, eu sou bobo
sou imbecil, muito tolo...

Quero sentir a dor,
é a melhor maneira de poder curar este falso e cretino amor
pois eu sou um lixo, sou um lixo humano
não há mais nada para fazer aqui...

sim...há sim
sofrer...

meu mundo é de escuridão
eu danço nas trevas
eu as sinto dentro de mim
eu não minto quando digo
que a tristeza me torna feliz.

Cá dentro há dores


É ódio que sinto aqui no meu peito
é sim, o que sinto neste momento.
Os sorrisos,
falsos,
meu rosto alegre
falso
eu apenas procurei achar alegria onde jamais encontraria.

Eu estou com medo.
Estou infeliz.
Mas por quê?
Há um vazio, havia um vazio, o ódio está preenchendo-o.

Meus olhos estão cheio de lágrimas,
elas têm um doce sabor de derrota
e vou-me entregando aos poucos
àquilo que chamam morte

Mas eu já morri várias vezes
meus sentimentos bons foram morrendo
a minha alegria passou
como um raio no céu escuro pelas nuvens negras...

Eu tenho medo...
Mas neste momento...
é uma mistura de ódio e tristeza que me invade a alma
me invade o ser, o ego, o espírito, tudo isto...tudo isto que me reconheço...

é o ódio que preenche o vazio. Dor.

sábado, 7 de abril de 2012

Via Sofrida


Há algo errado comigo
e eu sei.
O amor deveria ser um amigo,
não o meu rei.

Transformei um ser tímido
em algo maior que isto
e como um perigo,
me tornei amargo

será que fui amado?
uma ilusão pode ter sido tudo aquilo
uma brincadeira
o meu brinquedo sangrento?

Meus dedos pintam cores que desconheço
paisagens que talvez eu queira ver um dia
mas há uma parte minha
um vazio intenso, que parece não se preencher

todos se foram para as suas festas
celebraram as suas luas
suas amizades vestidas de veludo
enquanto o meu sonho flutua em uma fêmea estranha e nua.

Não sei o que me falta,
mas sei o que há de sobra...
Sobra uma amor egoístico
que sem encontrar o ser místico
vai se tornando maldade.

domingo, 1 de abril de 2012

O líquido do rancor


Meu corpo está frio
eu dormi nas ruas do medo
e a água levou meus segredos
até o rio.

Meu corpo está frio,
e há um sujeito lá na frente com uma faca
ele diz que não viu as minhas roupas - estou nu.
Mas ele, quem sabe, não me mata?

Eu estava esperando a hora
para ver o meu brinquedo sangrento
e com a minha indagação proibida
veio o golpe violento.

Passei pela ponte de madeira podre
e o rio ainda estava lá
com o cheio estranho de morte
eu cai, mas me levantei a tempo - sorte.

Depois do golpe violento,
onde estava o meu brinquedo sangrento?
"Nos braços da cheia de graça".
E as lágrimas rolaram no corpo frio e .

Mas era mentira, estava lá ele
enquanto eu mostrava os meus ferimentos
enquanto minha lingua pingava ainda veneno
enquanto eu tremia de frio e vergonha...

Meu brinquedo sangrento
minha salvação da dor
gargalhava, até chorar...de tanta graça...
enquanto o seu amor, eu, estava me afundando...

com os cortes profundos
com o corpo nu
com o veneno escorrendo pelo canto da boca....
eu estava me afundando no rio da morte e da desgraça;