segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O Jardim Negro




Mamãe me disse:
-Não saia de casa meu filho. O tempo está tão frio, talvez você se perca por algum lugar.Algum lugar escuro. E ele está por ai.
- Mas mamãe a noite está bela, e as estrelas me convidam para dançar.
-Não se excite com tanta beleza, é tudo falso.
-Não seja tão severa com o tempo...
Eu então desbravei pelo vento, encontrei um diabrete que me esperava perto daquela árvore.Convidou-me para passear...Mostraria-me os outros amigos seus diabretes...
Então fui como um curioso, mais curioso ainda para descobrir como seriam e se é que existiam seres tão alegres, malignos, porém alegres.
Entramos por uma trilha apagada pelas folhas do outono, que já havia passado.
Lá eu vi alguns rostos estranhos e ouvi um som extasiante...Pandeiros...Tambores...Cantos.
Ele me deu um cachimbo que continha um pó colorido, e a cada trago que dava sentia meu corpo se libertar como um grito.
Mamãe disse que eu não saísse de casa...Que mal havia? Estava me libertando das correntes que um desejo doentio me presenteou. Mamãe estava totalmente errada sobre a noite. Que noite! A noite em que estava feliz...Uma das poucas noites que estive tão feliz...
De repente passou ao nosso lado um raio, um raio carregado de uma energia negra...E ele penetrou os meus olhos.
O Diabrete me disse que eu deveria deixar que a energia me envolvesse. E foi o que eu fiz.Ele ria dos meu tombos, era algo muito forte para mim, e algo muito novo também.
-Vamos seguir por essa trilha.-O diabrete tocou o meu braço.
-Por essa trilha coberta de flores?
-Sim- E deu um sorriso oculto...
Então eu segui com ele por aquele caminho repleto de flores e de fragrâncias diversas. Uma festa de cores e de sabores. Sim de sabores, as flores eram deliciosas...O diabrete me puxou pelo braço e me levou até uma flor bem estranha.
Ela tinha a cor negra, o odor de tristeza...E o sabor de um passado amargo.
Nesse momento ele apareceu para mim...
Era um ser de corpo magro e olhos tão escuros quanto a flor que eu acabara de comer.Estava vestido com um mato roxo e com detalhes pretos. O diabrete começou a gargalhar e ele se escondeu por trás de uma roseira sem rosas...E desapareceu tão rápido quanto apareceu. O gosto da dor ficou na minha boca eu me desesperei, pedaços da flor voltavam de dentro da minha garganta, eu tentava gritar por socorro, pedi ajuda ao diabrete mas ele apenas gargalhava da minha desgraça...Malignos diabretes.
Voltei pelos mesmo caminhos, agonizando enquanto o diabrete repetia, sorrindo:
-Eu não sabia que ele estaria nessa trilha.-
Eu via em seus olhos, que ele sabia.
Quando estava chegando perto da minha casa o diabrete desapareceu...
E mamãe me esperava com uma toalha e uma garrafa com água. Ela não pronunciou nenhuma palavra, mas seus olhos me diziam milhões de coisas...Ela sabia que ele havia me enfeitiçado há anos e que estava solto por entre jardins, esperando para mostrar que eu não suportaria sua presença por mais de cinco segundos...
Mamãe me disse:
-Abra os olhos e não mais veja pelo coração.
Mas eu não o fiz.

Um comentário:

  1. Que texto em!?!?
    acho q o pesadelo recomeçou
    todo dia nas Quintas...

    Que Deus lhe ajude!

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