segunda-feira, 30 de julho de 2012

Até um dia

O mundo se converte em trevas
quandos meus olhos não estão com os seus
e parece até uma eternidade
quando eu digo adeus...

Algo que não sei explicar
você marcou em mim
de tanta paixão
ficou só o ódio.

E onde está o meu anjo de olhos negros
para me protejer deste demônio infeliz?
Ele apenas quer ver o meu corpo banhando no rio de sangue
e que continue a banhar por toda uma era.

Não é um sonho comum, uma quimera,
é uma profusão de medos e de maldades,
são pequenas feridas que foram abertas
e que agora exalam aquela vontade...

Aquela vontade...
de continuar a ser ninguém.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Vingarei

Eu quero a vingança
daqueles que me tiraram a ansia de viver
todos eram amigos
hoje em ninguém posso confiar.

Faces cínicas como que putas
e eu vou-me tornando a única
a única pessoa capaz de derrotá-los
e serei.

Não me importa se forem reis
ou cavaleiros
eu entro em cada casa
e eu uso a minha faca.

Cortarei gargantas
mancharei paredes
beijarei seus rostos
e enquanto agonizam
vou bebendo meu vinho
para representar o sangue
daqueles lábios vermelhos
que mentiram para mim um dia...

E sua morte não será o descanço
só será o começo
da minha vingança.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

No Lago

É salgada, como lágrimas
sim são elas
a água deste lago
nunca foi doce, é salgada...

Agora se torna amarga,
sim, como o fel da traição,
ela nunca foi tão gostosa
quanto o mel...

E de uma hora para a outro
tem um odor de podre,
onde estão as rosas que dormiam em seu espelho?
Nunca foi tão perfumada quanto meu jardim.

E tudo torna-se-á como um espiral
a água sobe aos céus
que nunca foram azuis
sempre negros, sempre escuros
sobem aos céus e caem como chuva
nunca fria, sempre quente, incômoda
e então um raio eis que surge,
não é a luz, é como que feito de maldade
para apenas esconder que na verdade...

Este lago de águas salgadas,
podres e amargas...não pertence a mim...a ninguém.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Airgelainoga

Não tenho motivos
e então de repente
eles, como mortos vivos
se levantam do passado.

Eles arranham o meu rosto
e eu choro
por não poder me defender
ou não querer, eu choro...

O motivo entra pela minha boca
e deixa meus sentidos confusos
o motivo vem e vomita
a alegria, pouca, que eu consumi.

Ela então, a alegria, se debate no chão
ensanguentada, desesperada, olha para mim.
E seu olhar aflito, nos olhos multicoloridos
sua boca solta um gemido...

" Deixe-me ficar no seu corpo
como um tumor benigno
não deixe este motivo infame
matar o meu germe latente..."

E então ela morre,
no chão escorregadio
e os motivos, todos eles frios,
se apossam do meu corpo, ainda quente e macio.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

c[O]ração?

Suavize os meus lábios
para que da minha boca
nunca mais saia um ai desgraçado
e nem uma voz rouca.

Deslize sobre o meu corpo
o perfume das flores virgens
para que eu não me entregue ao que é errado
ou o que não existe.

Toque os meus cabelos e diga que tudo ficará bem
que eu posso um dia ser alguém
que a tristeza irá passar
e que a ira não me usará.

Fixe os seus olhos nos meus
e me mostre um outro mundo
onde nunca é noite e frio
onde nunca venta e arrepia.

Segure na minha mão e
tire-me logo deste lugar
eu já cansei de aqui estar
só aos prantos.

Mas se não puder fazer isso
deixe-me o seu canto
para que ele ressoe para sempre
na minha cova profunda de ilusões...me acalentando.