quinta-feira, 28 de abril de 2011

Innocenten Oprimere


Poderia amar mais hoje do que ontem
quando em uma fantasia tola me afundei?
Quando eu via flores passeando em minha fronte
carregando em suas petálas os meus demônios cruéis?

Provar doces sabores de amargura
esperar por um encontro infinito
gritar para dentro do coração um grito
que ninguém jamais me viu fazer...

Ou achar que tudo era um lazer
brincar de viver como um amante
pensando que o ser que eu desejava
estaria comigo, preso àquele monte.

Ferir os braços como forma de pecado
para purgar uma paixão incontrolável
e ver as marcas que ficarão para sempre
guardadas, em um podre e empoeirado armário.

Fazer as marcas de uma letra ordinária
clamar aos deuses da inveja e da maldade
pedir sem mesmo saber qual é a verdade
que se esconde por trás de pactos sem fundamentos...

Andar tristonho no lombo de um Jumento
e começar criando histórias de amores
que mesmo sendo mais sofrido do que dores
continuarem se amando como antes...

Será que poderia amar como amava até ontem?
criar um outro ser perfeito e sofredor
para parar de me corroer com o senhor
que me espreita e me quer ver morto hoje?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Histeria


Recebi um convite seu,
assim, salpicado com ouro
com um fresco odor de tesouro
exalando uma alegria sem fim.

E o medo maior que eu senti,
foi quando vi escrito de azul celeste
meu nome, trêmulo como a peste
em letras profundas, no papel fingi...

Que aquilo tudo era mais que real
não um sonho
e que o dia do nosso reencontro
seria coberto de mel

Mas enganei-me e provei novamente da desgraça
por crer cegamente em uma terrível trapaça
que meus amigos invisíveis aprontaram...

Caí prostrado no chão fofo e molhado
gritando tão desesperadamente
que a mentira que viera quente
logo estava tal bouquet envenenado...

Recebi um convite seu
de uma época remota e sem data
onde no céu voam serpentes e baratas
para provar o dom que Deus me deu.