quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tela


Pinto o meu quarto
com tinta de alegria.
Apenas para ver o seu sorriso...
Apenas para ter em mim, a tal falada.

Eu quero apenas ser,
algo percebido.
Não pelos maus atos cometidos,
ou pela bocas sujas corrompidas.

Queria pintar meu quarto
com tinta de Amor.
Mas ainda não encontrei,
a cor.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ao Longe


A sua estrela brilhou muito longe,
e vi como era tão bela e pequena.
Mandei enviar-te uma mensagem serena,
e a resposta veio como uma chuva de ódio.

Parece que te fiz beber o ópio,
de um choque estranho, sem o fundamento.
Aquelas conversas cobertas de tempo,
aqueles seus olhos molhados de dor.

Você não entendeu o sentido do beijo,
-Não aquele onde carnes se entrelaçam-
queria um beijo coberto de graça...
Você me atirou um olhar de lamento.

O abraço seria o melhor presente,
o mais belo beijo, melhor que um beijo secreto...
Pois além de carnes que se entrelaçam,
eu quero um amigo, um amor, uma estrela que brilha,Perto!

domingo, 11 de outubro de 2009

[Oni]

"Eu vi aquilo que todas as pessoas acreditavam..."

Isso é um lado imoral,
de uma seita sem sentido...
Nada é mortal.

O seu século se perdeu,
nas ruínas de um reino...
Em pedaços.

Falam que somos arrogantes!
Não nos conhecem de fato.
Nós somos mais que simples revoltados,
fazemos os lados errados.

E continuam sendo bastardos.


Apenas lamento o lamentável.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Meu Antigo Amigo


Nos conhecemos sob um céu prata.
Sob um luar, sob um mar de estrelas.
Então nos vimos entre tantas pessoas,
Você estava tão feliz comigo.

Eu tinha sim você como um amigo,
era o mais puro sentimento simples.
Talvez sentisse o mesmo por mim,
Pois nos seus olhos eu vi que existe.

Queria um abraço apertado,
queria sentir seu coração bater.
Mas você permaneceu irado,
como se eu fosse uma aberração mortal.

Como se o meu sentimento fosse imoral...
Eu fiz apenas como o Cristo disse.
E se esse tal do amor existe,
eu percebi que o sentia aos poucos...

Talvez você pense que sou um louco...
Um ser repudiante, assim sem valor.
Porém te digo meu querido amor...
Que sua ida me deixou marcas profundas...

E em cada verso minha alma afunda...
Vai-se enterrando como um corpo morto.
Meu sentimento era puro e simples...
Mas os seus olhos só me viam torto.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O Jardim Negro




Mamãe me disse:
-Não saia de casa meu filho. O tempo está tão frio, talvez você se perca por algum lugar.Algum lugar escuro. E ele está por ai.
- Mas mamãe a noite está bela, e as estrelas me convidam para dançar.
-Não se excite com tanta beleza, é tudo falso.
-Não seja tão severa com o tempo...
Eu então desbravei pelo vento, encontrei um diabrete que me esperava perto daquela árvore.Convidou-me para passear...Mostraria-me os outros amigos seus diabretes...
Então fui como um curioso, mais curioso ainda para descobrir como seriam e se é que existiam seres tão alegres, malignos, porém alegres.
Entramos por uma trilha apagada pelas folhas do outono, que já havia passado.
Lá eu vi alguns rostos estranhos e ouvi um som extasiante...Pandeiros...Tambores...Cantos.
Ele me deu um cachimbo que continha um pó colorido, e a cada trago que dava sentia meu corpo se libertar como um grito.
Mamãe disse que eu não saísse de casa...Que mal havia? Estava me libertando das correntes que um desejo doentio me presenteou. Mamãe estava totalmente errada sobre a noite. Que noite! A noite em que estava feliz...Uma das poucas noites que estive tão feliz...
De repente passou ao nosso lado um raio, um raio carregado de uma energia negra...E ele penetrou os meus olhos.
O Diabrete me disse que eu deveria deixar que a energia me envolvesse. E foi o que eu fiz.Ele ria dos meu tombos, era algo muito forte para mim, e algo muito novo também.
-Vamos seguir por essa trilha.-O diabrete tocou o meu braço.
-Por essa trilha coberta de flores?
-Sim- E deu um sorriso oculto...
Então eu segui com ele por aquele caminho repleto de flores e de fragrâncias diversas. Uma festa de cores e de sabores. Sim de sabores, as flores eram deliciosas...O diabrete me puxou pelo braço e me levou até uma flor bem estranha.
Ela tinha a cor negra, o odor de tristeza...E o sabor de um passado amargo.
Nesse momento ele apareceu para mim...
Era um ser de corpo magro e olhos tão escuros quanto a flor que eu acabara de comer.Estava vestido com um mato roxo e com detalhes pretos. O diabrete começou a gargalhar e ele se escondeu por trás de uma roseira sem rosas...E desapareceu tão rápido quanto apareceu. O gosto da dor ficou na minha boca eu me desesperei, pedaços da flor voltavam de dentro da minha garganta, eu tentava gritar por socorro, pedi ajuda ao diabrete mas ele apenas gargalhava da minha desgraça...Malignos diabretes.
Voltei pelos mesmo caminhos, agonizando enquanto o diabrete repetia, sorrindo:
-Eu não sabia que ele estaria nessa trilha.-
Eu via em seus olhos, que ele sabia.
Quando estava chegando perto da minha casa o diabrete desapareceu...
E mamãe me esperava com uma toalha e uma garrafa com água. Ela não pronunciou nenhuma palavra, mas seus olhos me diziam milhões de coisas...Ela sabia que ele havia me enfeitiçado há anos e que estava solto por entre jardins, esperando para mostrar que eu não suportaria sua presença por mais de cinco segundos...
Mamãe me disse:
-Abra os olhos e não mais veja pelo coração.
Mas eu não o fiz.